3 Passos para elevar o nível da sua escrita
Nenhuma técnica ou método consegue superá-los, independente do caminho que você escolha. (E, claro, um bônus ao final.)
Se você quer um conselho ou dica para melhorar nível da sua escrita, esses três passos são infalíveis:
Abaixo eu te mostro por que e como eles constroem um repertório linguístico de excelência.
Leitura
E o que ler, exatamente?
O que você gosta. As indicações que você pede (se você não pede indicações de leitura, está perdendo vários mundos inteiros). O que te intriga, o que te instrui, o que te conforta, o que te incomoda…
A chave é se expor a novos estilos, gêneros, informações, e padrões de pensamento, para desenvolver os gostos e desgostos, sentir o encantamento, repulsa e outros pontos das matizes de seu campo emocional.
Num nível mais óbvio, você tem mais oportunidades de se apaixonar por formas de expressão e estilos de redação, que pode copiar, incorporar, adaptar. Mas, também, se expor a todas essas experiências pode te ajudar a ter as emoções mais à flor da pele e as ideias mais disponíveis à mente. Assim fica mais fácil acessar esses conteúdos e enviá-los para a caneta ao papel ou aos dedos no teclado.
Escrita
Provoque-se a fazer disso um hábito. Releia o que está por trás do que você iniciou, continue, desenvolva-se, desenrole-se no texto. Se tem muito a escrever, expresse-se. Se não sabe o que dizer, questione-se e redija as réplicas, tréplicas e também a observação sobre o andamento desses diálogos.
É sobre empenhar esforço.
Querer se expressar bem com uma a perseverança apaixonada, garra (grit), se colocando como um praticante de uma arte que precisa de constante prática intencional para ser masterizada (craftmanship).
Reescrita (edição)
O poder que a edição de rascunhos dá à qualidade dos seus textos… não está escrito.
Aqui entra a releitura de si.
Aquilo que você expressou? Organize. Os desenvolvimentos criados? Concilie-os. Ou crie tensão, se for esse o padrão escolhido. Dê-lhes bordo e direção intencionais.
Até reconhecer o que você gosta no que está expresso.
Reveja, revise, revisite, edite, reedite.
Faça todo o necessário para que cada texto se torne, à luz do seu intelecto, algo razoável o suficiente para se tornar público; e à luz de sua consideração, algo digno de ser lido por outro, porque já atende ao gosto de sua leitura.
Pause e afaste-se para um respiro, se necessário.
Cuidado para não deixar de publicar
Também tem que ter cuidado para não matar os rascunhos na gaveta com o perfeccionismo. É a busca de equilíbrio entre empenhar esforço e saber quando parar.
E como saber a hora de publicar?
Cada um tem seu tempo e seu nível de cobrança.
Se você se cobra muito ou sofre com altos padrões, vale lembrar desse conceito de obra prima, proposta por Murilo Gun:
Uma obra está pronta quando o esforço adicional necessário para melhorá-la resultaria em uma melhora apenas marginal na qualidade final.
Colocar duas vezes mais tempo duplicaria a qualidade? Se positivo, talvez valha a pena empenhar mais edição.
Mas se você chegou em algo que é 80% do que você considera sua nota máxima… e gastar metade do tempo que você já dispendeu levasse sua nota para 85%… talvez já seja a hora de publicar.
E então… a mágica acontece
A prática integrada desses 3 passos te leva a desenvolver, de forma consciente, um bom repertório, junto com o seu próprio desenvolvimento pessoal.
O efeito disso é a lapidação de uma mente escritora.
O poder do Repertório
No fim das contas, nada supera o poder do Repertório.
Nenhuma técnica ou método específico vai superar sua maturação interna de ter lido outros, lido a si mesmo(a) e, sobretudo, ter feito. Ter feito mais. E continuar fazendo.
Lembro de uma conversa que tive com um amigo copywriter, sobre nosso desenvolvimento na carreira (ele nas agências e eu fazendo minhas peças para meu próprio negócio, lá por 2024), um analisando o trabalho do outro. Concordamos, ao fim, que nada supera o acúmulo dos aprendizados na jornada. Mesmo sabendo toda a técnica, o repertório é rei.
Ter feito certo, ter feito errado, continuado na mesma e eventualmente melhorado gradualmente. É assim que teorias, métodos e técnicas se tornam naturais e recorrentes na nossa prática. Pela repetição.
Se você vai precisar de leituras de métodos e técnicas específicas… depende do estilo de cada um, de leitura, de escrita, de desenvolvimento. De gostar de leitura técnica ou não, de adotar estilos e trejeitos de escrita intuitivamente ou não. E de quanto tempo leva para você gostar ou se satisfazer com o seu progresso… ou não.
Qual é o seu estilo? Quero saber da sua jornada de escrita.
Bônus: O bom tempero do molho de uma escrita sensível
Mas ainda vamos avançar o entendimento sobre a Reescrita:
Essa reescrita envolve também reescrever o que você já postou, mas de um jeito diferente?
Essa pergunta é altamente provocadora.
Porque não se trata aqui do processo puro de edição dos rascunhos, que é a “reescrita” que descrevi. Ensaiei uma resposta:
Aqui temos um exemplo prático de reutilização de formatos e temas, para reciclar e avançar escritas.
Eu me perguntei: essa “reescrita” do que já foi publicado seria uma “reescrita” à luz de quê?
Ora, à luz de mim mesmo.
Ou a representação de um momento de um recorte de mim. Afinal, não são isso os textos?
Por isso que a expressão da maturação intelectual, emocional, pessoal, é um traço que tanto encanta os leitores de um autor, que denota, em outras palavras, uma evolução na escrita.
Essa reescrita, mais profunda, pode ser ao olhar para uma coisa que escrevi e comentar, dialogar, contrapor ou desenvolver algo sobre aquilo.
Uma visão de mundo que eu tinha e mudou. Um enfoque temático que eu usava mas evoluiu para outro. A maneira como eu me expressava naquele texto ali, que já não me representa tão bem. Olhe, quando eu consigo fazer algo novo que me demonstra essas evoluções, eu viro meu primeiro fã, dá tesão escrever.
E eu acredito que isso, do lado do leitor, é percebido como um texto que “tem molho”. Ou então que é um texto de uma “escrita sensível”.
Esse segundo tipo de reescrita é o alvo.
Mesmo que se faça um exercício de “reescrita pura e simples”, se você tiver intencionalidade sobre o que quer fazer diferente… existe aí um ótimo potencial para lapidação e polimento do grau de sua escrita.
É isso.
Grato às queridas que me oportunizaram as perguntas e desenvolvimento das reflexões.
Esse foi um ensaio sobre a escrita, de A Longa Jornada de Mim.
Gostou?
(Eu coloco minha alma e coração aqui toda semana. Toda contribuição sua, pontual ou recorrente, é bem-vinda. Já te agradeço!)
P.s.: Quer aprender como dar conta de mais de 30 rascunhos simultâneos usando uma linha de produção textual de apenas 5 passos? E como ter pelo menos 7 boas ideias por semana, de propósito? Confira:
Por aqui eu falo de muita coisa que não é sobre como escrever melhor. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse:
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A grande maioria deles, gratuitos.
Poesia às quartas-feiras. Sempre gratuita.
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Excelentes insights.
Nesse momento vou apostar em volume e "praticar em publico"
O texto já era incrível e cheio de insights, e agora ficou melhor ainda com a leitura do bônus.
Eu gosto de reescrever textos que já publiquei e fico feliz de ver como os transformo para o meu retrato de hoje! Nem sempre fica incrivelmente melhor, mas fica atualizado com o meu repertório!
Aliás, repertório é um dos pontos mais importantes para mim! E o alimento de diversas formas!