6 Padrões mentais que arruinam qualquer relacionamento
(Eu sei, porque já vivi na pele todos eles)
Olha, depois que a pessoa começa a fazer terapia… não é tão simples assim.
Essa é uma frase que está ganhando força.
Você se identifica?
Esse risinho que você deu, deve ter sido de nervoso.
Você não se conforma mais com relacionamento tóxico.
Você sabe exatamente como é um relacionamento tóxico.
E acredita que a qualidade das relações entre pessoas pode melhorar… e você quer que seus relacionamentos melhorem. Mas sabe que uma ou hora ou outra vai ter uma trabalheira interna medonha para conseguir construir relações mais saudáveis. E outra trabalheira ainda, para encontrar alguém que também está se dando esse mesmo trabalho interno.
Eu não sou psicólogo nem dono da verdade.
Então não leve tão a sério o que eu vou dizer. Não é conselho.
Mas se você nunca pensou nessas coisas aqui, você deve ser santo, santa, ou estar de sacanagem com o seu progresso.
E se seu terapeuta nunca te direcionou para isso aqui, é por que quer manter um cliente fácil na carteira ou realmente entende que você ainda é um alecrim dourado que não aguenta nem sopro na ferida. E te ajudar com sua sabotagem na verdade é uma redução de danos, pra você não surtar.
Mas respira fundo, relaxa, é só informação.
Eu vou falar contigo na segunda pessoa, por que também é assim que eu costumo falar quando estou conversando comigo mesmo.
1. Perfeccionismo
Não estou falando de perfeccionismo com as atividades corriqueiras ou com a sua autoimagem. Estou falando do perfeccionismo com a criação de um ideal perfeito do que deve ser um relacionamento. Aquele botãozinho de “ah, mas ainda precisa melhorar”, que fica ali ligado para sempre, no tema “relacionamentos”.
Quanto “melhor” é o suficiente?
A ideia de “sempre melhorar” pode se tornar um eterno gerador de expectativas… maiores. E se a expectativa que você constrói está para um prédio, a decepção está para a queda desse edifício. Quanto maior o prédio…
Existem limites. A condição humana é imperfeita.
Quantas falhas você consegue aceitar? Quantas você já corrigiu em si mesmo(a)? Quantos incômodos você comporta, em relação a si? E em relação ao outro?
Em que momento seus desejos de melhoras passam a ser exigências? E a partir de que momento essas exigências começam a se tornar muralhas do seu próprio isolamento?
2. Inferioridade
Você não é inferior.
Mas se você se identificar com a ideia de que você é inferior, passará a agir com inferioridade. E isso pode se tornar a raiz de quase todos os problemas a seguir.
Se achar pouco, insuficiente, incompetente, inseguro(a), perdido(a), desesperado(a), carente. De repente inveja e ciúme se tornam reações naturais a quase tudo que as outras pessoas dizem. Porque é fácil alguém estar melhor que você. Afinal, para quem acha que está abaixo e afundando, as coisas sempre podem piorar.
Até que o ressentimento e a amargura se tornam tons de base da sua paleta emocional.
Aí, para qualquer pessoa chegar do seu lado, você tem que trazê-la para baixo para chegar no lugar que você pensa que está?
Não é sexy.
Mas reconhecer narrativas internas que te colocam nesse lugar é menos apelativo ainda. E é por isso que gente pequena tem dificuldade de crescer.
3. Dependência
Olhe, dizer “eu preciso” ou “isso é uma necessidade” é coisa muito séria.
Para mim, necessidade é condição de existência. O que é mesmo uma necessidade? Respirar, por exemplo, é uma necessidade. Beber água, comer, fazer atividade física. Isso são necessidades. Somos como plantinhas fitness, que precisam de sol, água, nutrientes e movimento para viver.
Mas temos emoções complicadas, que relativizam um pouco o quadro… e vivemos em sociedade, aí bagunça tudo.
Então, sim, teremos necessidades além das mínimas para a existência e isso é normal. Mas carência e insuficiência são péssimos pilares para uma relação. Carência e insuficiência são péssimos pilares para uma relação. Até por que se você usar carência ou insuficiência como pilares, é muito fácil você se trocar por muito pouco numa relação. Se você pensar em quantas relações na verdade estão sustentadas nisso, vai perceber que a questão é mais profunda do que parece.
Precisar de uma pessoa, da renda delas, das validações externas que elas provêm, da moradia, seja lá do que for… depender pode levar muito rápido aos tons inferiores de ressentimento e amargura, ou ao medo constante de ser abandonado(a).
É isso que você quer?
4. Repasse de traumas
Você sofreu. Todo mundo sofre.
De repente você está aí em contato com suas dores, fazendo o possível para costurar as feridas abertas e cobrir os nervos expostos. Aí é possível que você ache que quem sofreu menos que você merece sofrer. Aquela dor que você sentiu e o outro não, você quer que o outro sofra para te entender.
De novo, nivelando por baixo.
A questão não é se alguém merece sofrer ou não, ou se alguém merece ou não mais ou menos sofrimento que o outro. Também não me interessa se você acha que isso é uma questão de injustiça, justiça, igualdade ou equidade.
E não é só a mim que não interessa.
É por que relacionamento é questão de interesse mesmo.
Moça, moço, presta atenção:
Qual a sua proposta de valor? No fim das contas você está a procura de alguém que seja um eterno poço coletor do xorume dos seus traumas? Enquanto você não faz um mutirãozinho para limpar a área do lixão?
Também não é sexy.
Apelo zero.
5. Invalidação
Validação
O gostoso mesmo de um “eu te amo” é o “eu te aceito” que está implícito nele. Não é a aceitação de uma imagem ou de consequências sociais do que você faz, é você, mesmo, sendo aceito(a). É isso que faz um “eu te amo” verdadeiro de verdade. Sem aceitação, é só palavra. E até sem essas palavrinhas, “eu te amo”, essa aceitação é um gesto de amor.
Validação externa. É gostoso, né?
Ai de quem for dependente dela, porque facilita virar brinquedo na mão de capetas que aparecem no caminho. Mas quando é autêntico, nossa, faz bem ao ânimo.
Como é ruim, enfrentar invalidação
E para quem pratica a invalidação?
O diabo que a carregue.
Olhe, já é trabalhoso o suficiente eu estar aqui aceitando minhas próprias emoções (aquelas menos bonitinhas e até mesmo as mais escabrosas). Aí eu vou querer alguém que me negue esse processo de reconhecimento?
Se eu me abrir e compartilhar contigo, por exemplo, que estou frustrado, você pode não validar ou validar. Mas não invalide. Não me venha com “olhe, acho que frustração é uma palavra muito forte”. Não é a hora de juízo de valor, regulação de discurso, nem elaboração mental. Eu estou te dizendo como eu me sinto, por definição não é uma elaboração lógica das coisas.
Compreendendo ou não compreendendo, concordando ou discordando, calar a boca é sempre uma opção super acessível. Porque invalidações, mesmo que pequenas, das emoções da outra pessoa podem fazê-la se sentir insegura, pisando em ovos o tempo inteiro. E adivinha? Ela não vai querer se abrir com você.
Afinal, é normal existir pessoas que não concordem comigo e não queiram contribuir com meu estado de ânimo, seja por iniciativa consciente, subconsciente ou inconsciente. Mas eu não preciso me abrir para levar pancada dessas pessoas.
E não vou mesmo.
E se eu for a pessoa tóxica da história?
É sempre válido se perguntar isso.
Será que eu sou o diabo que está amassando o pão da invalidação emocional para outra pessoa comer? Será que sou eu que estou repassando meus traumas de invalidação adiante, para quem ainda quer estar ao meu lado? Será que eu estou caindo numa armadilha de perfeccionismo narcisista, de querer alguém que me acolha quando eu me abro mas que não precise se abrir comigo?
Realmente, pode ser desafiador identificar isso aí.
Mas não se preocupe. Esse é um dos únicos contextos em que a convivência social não bagunça o coreto. Os sinais de convivência são claros e implacáveis: Se todos a sua volta estão errados, é possível que nenhum deles esteja.
Reflita sobre isso.
Se parece muito enigmático, pode tatuar no braço para ver todo dia e pensar um pouco no assunto. Não estou dizendo que tatue. Mas pode.
6. Armamento (weaponizing)
Se eu me abrir com alguém e essa pessoa usar o que eu mostrei contra mim… acabou.
Seja como argumento de discussão, provocação de culpa, objeto de chantagem ou qualquer coisa do tipo. Armar objetos da intimidade retiram da equação o elemento de dignidade humana.
Não considero saudável ficar perto de quem faça isso.
E se você perceber que chegou nesse nível de manipulação sobre alguém, procure auxílio psicológico profissional.
Na verdade isso é só um nível de requinte de perversidade de coisas que já falamos antes. Mas é exatamente por isso que vale a pena mencionar.
E o que fazer sobre isso?
Relaxa.
É só informação.
Mas se te incomodou…
Bem-vindo(a) ao clube.
Se você gostou, te convido a ler esse outro ensaio que, junto com os 6 padrões mentais, constitui os fundamentos filosóficos aqui da Jornada:
Essa foi uma reflexão intimista de A Longa Jornada de Mim.
Gostou?
(Eu coloco minha alma e coração aqui toda semana. Toda contribuição sua, pontual ou recorrente, é bem-vinda. Já te agradeço!)
Por aqui eu falo de muita coisa que não é introspecção psicológica. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse:
Um post por semana, aos sábados.
A grande maioria deles, gratuitos.
Poesia às quartas-feiras. Sempre gratuita.
A Longa Jornada de Mim só tem alma e propósito com vocês, leitores(as). Inscreva-se gratuitamente para participar da Jornada. Vou te enviar um e-mail de boas-vindas personalizado, tá? Não é aquele e-mailzinho padrão xexelento do Substack não. É para quem escolheu participar da Jornada mesmo.

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Tá eu faço tudo isso, mas eu não sei se quero mudar, sei lá, se não tiver jeito talvez eu mude
A autoreflexão salva. Obrigada pelo texto!