Eu errei, sobre misandria, misoginia e afetos heteroafetivos.
O texto "Mas todo homem, mulher? Todo mesmo?" não se sustenta.
Lembra quando eu me empolguei e fiz um artigo de 14 minutos de leitura sobre “Nós, homens e mulheres, queremos relações e relacionamentos românticos funcionais entre homens e mulheres”? Então… Eu errei.
Escrito durante março e publicado em abril de 2026, o texto tem alguns erros… graves. Não é nada que me leve a querer excluir a publicação Mas todo homem, mulher? Todo mesmo? Ele foi escrito como uma resposta a Poliana, que eu nunca pôde dizer após o gelo que ela me deu. Mas tentando escrever de uma maneira que não irritasse pessoas mais sensíveis ao debate, como a AcidaeHialuronica.
Mas, por um motivo ou outro, o artigo tem duas incoerências internas — pelo menos foi essa a quantidade detectada até agora —, apontadas pelo Marson Guedes e o José Miguel Ledesma, que vale a pena compartilhar.
Primeiro como um agradecimento pela leitura atenta. E depois pelo que essa leitura atenta enseja: diálogos significativos entre nós.
1. Eu confundi os temas
O Marson Guedes não fez restack do meu texto nem me mencionou. Talvez ele nem estivesse falando comigo nessa nota… mas a carapuça serviu! Hahahahaha
Aqui estão as sugestões dele:
Use todas as estatísticas de agressão contra as mulheres para falar com as pessoas em quem votou. Liga pro gabinete do vereador que prometeu lutar contra o feminicídio, manda email para o seu deputado, faz um abaixo-assinado endereçado para seu senador.
Cobre seu voto. Este é o fórum da estatística.
Outra sugestão é sentar na mesa da corte e pensar se o moço é gente boa ou não, se tem caráter, essas coisas.
Se a moça quer relacionamento e se ela parece ser coerente com o que fala.
Vale um segundo encontro? Vale se arriscar a mandar a primeira mensagem para tocar a proposta de afeto?
Reconheça se tem ou não vontade de dar um belo beijo naquela boca.
A questão não é o caso geral de homens ou mulheres.
É o caso específico da pessoa por quem você está se enamorando.
Nenhum amor em broto sobrevive ao porrete da estatística.
Pois estatística é média, mediana e moda.
Você é singularidade de personalidade, história e caráter.
Aja como tal.
Dispensa comentários de minha parte, seu Marson.
2. Eu generalizei
Parte do que o Marson disse no começo da crítica dele — a progressão das lacradas de todo-homem, nem-todo-homem e mas-sempre-um-homem — sugere implicitamente o que o José Miguel Ledesma deixou explícito: eu generalizei.
E acho que vale a pena destrinchar as consequências do que ele disse. Porque o apontamento dele meio que demoliu o texto inteiro.
Realmente ficou bem solto e concordo que sem precisão conceitual a conversa fica inviável.
Misoginia seria o ódio gratuito às mulheres, porque são mulheres.
Misandria o ódio gratuito aos homens porque são homens.
Já machismo escapa da precisão, como alguma coisa elusiva, feito “cultura baseada em misoginia”.
(Outros termos eu nem me arriscaria a querer ficar cobrindo depois de ter escrito o que escrevi como escrevi.)
Mas a contradição interna maior que sua crítica revela é a generalização.
Porque o argumento para sustentar a retórica de que “misandria não existe” seria de que não há ódio gratuito ao homem e porque ele é homem: se estamos numa sociedade em que predomina a misoginia, poderia haver o ódio ao homem porque ele é homem, mas não gratuito, pois esse ódio seria resposta aos traumas de uma cultura misógina.
E aqui está o eixo do erro: para que isso fosse verdade, seria necessário que “toda mulher” estivesse traumatizada, um tipo de generalização que contradiz o cerne do texto, de criticar generalizações a “todo homem”. Uma posição que já não consegui defender sem prolixidade no texto original.
Além de que essa manobra retórica sugere — embora não entregue de vez o argumento — que é verdade que, para que “toda mulher” esteja traumatizada, “todo homem” não preste.
O artigo Mas todo homem, mulher? Todo mesmo? argumenta exatamente o inverso e penso que o faz bem (mesmo incorrendo em incoerências internas brutais como uma generalização barata após atacar esse tipo de trato com a informação), mas corre o risco de ter essa argumentação ignorada ao arriscar uma manobra retórica para agradar a mulheres que se sentissem ressentidas ou traumatizadas em relação ao assunto.
Grato, queridos. Pela leitura atenta e observações. Estou aprendendo com vocês.
Essa foi uma revisão crítica de A Longa Jornada de Mim.
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