Fúria Niilista
(Soneto em defesa analítica e emocional do desespero existencial)
Acompanhe a publicação semanal de poesias aqui:
A que veio antes dessa foi “Divertida”.
A que vem depois, “Pra onde foi, aquele rapaz?”.
O poema Fúria Niilista faz parte do meu livro Doses Endovenosas de Humanidade.
Aqui eu conto mais sobre o Doses Endovenosas de Humanidade.
Aviso de conteúdo sensível:
O texto a seguir aborda ideação suicida e desespero existencial. Não é recomendado para pessoas que estão em momento emocional sensível ou vulnerável.
Fúria Niilista
É tabu, em qualquer circunstância, falar de suicídio.
É crime, perante qualquer um, odiar meu aniversário.
É proibido demonstrar pela lógica, está repreendido,
Que para ser feliz gratuito, neste mundo, só o otário.
Quem um pouco estuda da condição inumana,
Acompanhando sua evolução doentia e tirana...
Sabe que aqui ter nascido não é razão de festa.
Sabe que o que permanece pelos séculos é moléstia.
Se ousasse aumentar o ímpeto de sua compaixão,
Sendo solícito ao escrucio da maioria em aflição,
Atento, de peito aberto, abrigando coração terno...
Não fingiria estar bem ou ser bom ter nascido num inferno.
Saberia que não é trivial, dizer escolher ter nascido.
Entenderia o quão legítimo é questionar ter que estar vivo.
(Antônio Rodrigues, 25/03/2026)
Gostou? Me compra um café (:
(Pode ser só um expresso dessa vez. Eu tomo sem açúcar. Amargo. Igual minha vida. Hahahahahahaha. Adóio.)
Nota: O desespero existencial, desejar não ter nascido, é diferente de ideação suicida. A “defesa” analítica e emocional do soneto não é uma apologia a nenhuma dessas perspectivas. É apenas uma argumentação expositiva de como eu me sinto sobre o assunto.
Não representa, necessariamente, meu estado de ânimo preponderante. E não deve, na minha visão, representar seu estado ânimo preponderante também. Por questões de saúde.
Dei vazão a este soneto por que ele me veio mesmo, enquanto eu revisitava algumas de minhas perspectivas ao escrever sobre meu renascimento filosófico anti-niilismo (e como superei as alternativas entre querer morrer mais cedo e odiar ter nascido).
Esse foi um poema de A Longa Jornada de Mim.
Para conhecer as raízes da fúria que esse soneto retrata, leia:
Por aqui eu falo de muita coisa que não é niilismo ou poesia. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse::
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