Pra onde foi, aquele rapaz?
(Poema de retorno de uma voz feminina crítica)
Acompanhe a publicação semanal de poesias aqui:
A que veio antes dessa foi “Fúria Niilista”.
A que vem depois, “Ah, vá!”.
O poema Pra onde foi, aquele rapaz? faz parte do meu livro Doses Endovenosas de Humanidade.
Aqui eu conto mais sobre o Doses Endovenosas de Humanidade.
Pra onde foi, aquele rapaz?
Ai, meu pai, aquele rapaz, cadê?
Inspirado, doido, fugaz, cadê?
Que escreveu cento e treze poemas,
Sob quatro pseudônimos em várias cenas,
Eu, inclusive, em participação pequena...
Cadê?
Aquele louco varrido.
Eternas saudades do que não foi, todo sentido.
Mais dramático que no teatro era na vida.
Doido atrás de uma saia pra chamar de querida.
E doído das rejeições escrevia, todo deprimido.
Ai que adolescente dramático, minha gente.
Se não tivesse algum charme eu diria logo: indecente!
Querendo emular homem, chorando “mais que menina”,
Cheio de ideia profunda, mas na prática desafina.
Cadê?
Serviu de alguma coisa?
Que virou, aquele rapaz?
Pra onde foi?
Meniiiino, menino...
Se eu te encontrar e ainda estiver menino, te puxo as orelhas, viu?
Doido.
(Milla Sora, 29/03/2026)
Gostou? Me compra um café (:
(Vai, paga dois aí. Quem sabe eu consigo chamar a Milla pra um date.)
Esse foi um poema de A Longa Jornada de Mim.
Por aqui eu falo de muita coisa que não é poesia ou experimentação de tom feminino crítico. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse:
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“Eternas saudades do que não foi” me parece a frase que dá o tom do poema.
Ela guarda uma saudade curiosa: a saudade de uma versão de si que talvez tenha sido mais promessa do que realização.
O poema olha para esse rapaz com ironia, mas também com certa ternura, como quem reconhece que havia ali excesso, fantasia e desejo.
Em muitos casos, amadurecer passa por reencontrar essas versões antigas sem precisar obedecer a elas.
Mas menino, que linda poesia!
Vá revirar os teus guardados e traga mais. 😘