Processo Criativo Explosivo (para sua escrita)
Como dar conta de mais de 30 rascunhos simultâneos usando uma linha de produção textual de apenas 5 passos. (E como ter pelo menos 7 boas ideias por semana, de propósito.)
Esse é um método de linha de produção textual criativa usando 5 passos simples, e um bônus ao final: como ter pelo menos 7 boas ideias por semana, de propósito.
Seu aproveitamento do que eu tenho a dizer será muito, mas muito superior se, antes, você se atualizar com a leitura de 3 Passos para elevar o nível da sua escrita. Se você já leu, pode seguir em frente. E se você ainda não leu mas quer seguir com menos da metade do aproveitamento, pode seguir em frente também.
1. Estase ou Hiperatividade? (Escolha o seu tormento)
Para desenvolver nosso próprio processo criativo explosivo, precisamos de dois fatores fundamentais: estrutura e velocidade.
Estrutura de processo criativo.
Velocidade de pensamento.
Se você sente que precisa acelerar seu ritmo mental, a repetição do processo criativo ajudará a sua mente a habituar-se ao processo, que, pela repetição consistente da prática, eventualmente vai te presenteando com mais desenvoltura, que eventualmente se manifesta em mais velocidade.
Se o ritmo mínimo de sua mente já é um carro a 300km/h, instaurar um processo criativo pode te ajudar a começar a fazer alguma coisa, qualquer coisa que te ajude a sair da cabeça, materializar os estímulos que seu sistema cognitivo precisa, para finalmente parar de cantar pneu e arrancar a escrita sobre suas ideias.
Ordem para quem já tem velocidade.
Repetição de processo para quem precisa acelerar.
Os dois pontos de partida são incômodos e os dois processos são laboriosos. Ambos exigem ordem, método e disciplina.
Qual desses dois perfis é o seu?
2. Linha de produção (os 5 passos simples)
Vamos ao método. Há 5 coisas que não podem mais acontecer na nossa empreitada de produzir mais e melhor com um processo explosivo de criação na escrita:
Perder uma boa ideia logo após o momento em que ela se apresenta;
Ser chocho(a) e capenga na forma como você toma nota das ideias;
Achar que o texto vai ficar legal sem antes fazer um rascunho rápido da estrutura;
Anotar um monte de coisa linda de forma caótica e não conseguir lidar com o volume de informação que você mesmo(a) fez;
Não escrever bem (ou, não trabalhar para melhorar incrementalmente a escrita).
O método consiste em evitar ao máximo fazer essas cagadas.
2.1. Armazenagem dos relâmpagos
Flash!
(relampejou)
Pronto, a ideia passou. Você viu?
Por um instante, a percepção sobre um assunto mudou, silhuetas diferentes se delinearam e você viu o contraste de luzes e sombras que provavelmente não vão cair duas vezes no mesmo lugar mental. Você consegue anotar a impressão que você teve ao presenciar esse lampejo?
Seja rápido(a).
Esteja preparado(a), por que você não sabe quando esses lampejos vão surgir (mentira, no bônus eu vou te mostrar como fazer isso de propósito… mas é fato consumado que às vezes eles surgem sem avisar). Tenha onde anotá-los. Um bloquinho de notas físico. Aquele grupo no WhatsApp com só você dentro, para mandar textos e áudios rápidos (adicione um atalho para esse grupo em uma das telas iniciais do seu celular, para facilitar o acesso). As próprias notes aqui no Substack, para serem sua estufa de ideias iniciais, mesmo que não dêem engajamento algum (afinal, a função delas não é essa). O que funcionar para você, faça.
Não desperdice as aparições dos relâmpagos. Quem tem muitas ideias anotadas pode ficar com as melhores e descartar as piores. Mas quem não tem anotações morre na linha de partida. Tenha um dia na semana para colocar essas notas na criação de novos rascunhos no Substack ou documentos no seu seu Notion, drive, computador, pendrive, o que for.
2.2. Setups autoprovocativos
Entretanto, se você simplesmente anotar o desenvolvimento inicial da ideia e não lhe der um título/subtítulo que, para você, seja significativo… Tem aí um risco grande de você brochar quando olhar para ela mais tarde. Não é isso que queremos.
Mesmo que você olhe para o que escreveu e pense “hm, mas que merda foi essa, ein? Vou ter que refazer”. Ótimo. Isso já é sinal de que foi relevante o suficiente para você querer melhorar. Não dá para ir no seco como está, que só vai doer para um finalmente que não presta. Mas se sua escrita foi o suficiente para animar sua reescrita, já temos química o suficiente. Agora é ter paciência, disposição e, mais importante, gostar do processo. Afinal, o que é mais gostoso? O esquenta da provocação com o rolar da redação? Ou o clímax da publicação?
(Dica: não tem um sem o outro.)
Exemplo 1:
Uma armazenagem capenga do relâmpago que essa nota me provocou seria: “falar sobre persistência e automelhoramento, principalmente nos bastidores”.
Meu setup autoprovocativo foi: “sobre solidão e shoshin”.
Talvez não faça muito sentido para você, mas o conceito de shoshin, juntinho de kaizen, tem grande significância para mim e, exatamente por que eu sei que pode ser um conceito alienígena para muita gente, eu terei a maior disposição para me desenrolar num texto sobre o seu significado. Quando eu olho para esse setup eu sei que tem pano para manga e me dá vontade de escrever.
Exemplo 2:
Uma armazenagem medíocre do relâmpago que essa nota me provocou seria: “Sobre escrever para incomodar”.
Inclusive, esse foi o título que eu usei! É medíocre, mediano, mas bom o suficiente. Não precisa reinvetar a roda, mas nesses casos tem que dar um molho no subtítulo.
Meu setup autoprovocativo, adicionado no subtítulo foi: “Afinal, você quer mesmo viver algo através da leitura ou está lendo qualquer coisa apenas pela anestesia?”.
2.3. Bullet listing (criação de estruturas e limite criativo)
Pode parecer contraditório, mas limite criativo é um dos maiores combustíveis para a escrita. Um “seja criativo!” sem um “sobre o quê” ou “de que maneira” pode gerar a mesma paralisia de uma página em branco infinita. Por isso as restrições ajudam a mente a desenvolver soluções engenhosas. É como um “aqui, meu querido, vamos nessa direção e não por aquela… tá aí o desafio, agora te vira!”
Como um exemplo, vou te mostrar o making of dessa publicação, em 9 passos:
Vi uma nota que Ana Gutmann, que adora provocar espaços de aprendizado sobre aprimoramento de escrita aqui no Substack, fez e que eu adoro responder:
Respondi:
Criei uma nova publicação nos rascunhos do Substack;
Adicionei tags ao rascunho assim que comecei (passo 4, abaixo);
Dei o Título de “Processo Criativo Explosivo” e subtítulo de “Como dar conta de 30 rascunhos simultâneos com um método de produção infalível (e, claro, um bônus ao final)” (passos 1 e 2, acima);
Fiz uma lista de pontos (passo 3, atual), que depois que eu indentei virou uma lista numerada, copiei e colei numa nota, adicionei um título intelectualzinho em negrito ao início e uma frase de efeito ao final, publiquei, copiei o link e colei aqui no post:
À lista numerada que já estava escrita aqui no post, apliquei os Estilos de Títulos e escrevi as numerações;
Arrastei a nota “Nota meta textual sobre bullet listing” aqui dentro para o lugar certo de te apresentar o making of;
Daí para frente, foi só recheio (passo 5, abaixo). (Isso abrangeu, inclusive, a edição da própria nota “Nota meta textual sobre bullet listing”, conforme eu escrevia o texto completo por aqui.)
Tá louco, ein.
Essa foi genial, merece no mínimo uma curtida e um restack seu! Aproveita e compartilha também, com Deus e o mundo.
E te digo: não precisa ser complexo assim, como gerar uma lista numerada para dar numa estrutura de sumário. Pode ser só uma descompressão de assuntos mesmo, fazer anotações rápidas para não perder as ideias e liberar sua área de trabalho mental para continuar escrevendo. Quantas vezes eu já não me peguei redigindo parágrafos mais complexos de O nome dela é Joana ou Em defesa do Rock Pesado, parei por 1 minuto para escrever uns 6 pontos logo abaixo (ou até pontos de outros textos, que surgiam de repente) e retomei a escrita? Esses 6 pontos viraram mais 6 parágrafos, 6 temas, subtítulos etc.
A sacada é: faça listas curtas de forma rápida, para desenvolver com mais cuidado depois. Isso vai desentupir sua cabeça e impor um nível saudável de limitação criativa, sem desperdiçar relâmpagos.
2.4. Organização (com dica extra para o Substack)
2.4.1. Organização por temas
Você já usa tags no Substack?
Muito importante, tá?
Por que dá para filtrar seus textos (rascunhos, agendados e publicados) por tag, assunto, ou temas (enfim, categorias). Faça isso o quanto antes, assim que criar um novo rascunho! É rápido e vai te ajudar muito.
Separar seus textos em categorias (mesmo que um texto se enquadre em mais de uma categoria, “tenha mais de uma tag”) é o que vai te proteger de fadiga mental. Isso pode ser a diferença entre avançar dezenas de textos em paralelo ou ficar num atoleiro de ideias e estruturas.
Se você tiver 10, 15, 27, 35 rascunhos sem conseguir dividi-los em grupos menores… é muita informação e você possivelmente vai se cansar antes de continuar suas redações, escolhendo rascunhos.
Alternar entre os temas ajuda a refrescar a mente, para não ficar o tempo inteiro naquela mesma coisa, sempre, sempre. É uma forma de descanso ativo entre os assuntos, para não fritar sua cabeça com o volume de desenvolvimentos no mesmo tema;
Assim você evita monotonias monotemáticas:
No seu processo criativo, evitando fadiga mental;
No seu cronograma de publicações, intercalando melhor os temas dos seus agendamentos, para não cansar seus leitores. Acredite, com volume isso será possível. Agora em 17 de março eu tenho textos semanais agendados até 7 de junho, esse aqui para 18 de abril, mais uns 45 rascunhos com potencial;
Inclusive, não menos importante, essas tags podem se tornar abas da sua página do Substack, que ajuda seus leitores a explorarem suas produções.
As minhas categorias para lidar com meus desenvolvimentos, no momento em que te escrevo, é essa aqui:
É uma grande miscelânea, eu sei.
Mas essa é a proposta d’A Longa Jornada de Mim.
Contigo, se você trata de temas específicos, crie suas categorias dentro deles:
Copywriter: estratégias, técnicas, reflexões, relatos e análises;
Psicóloga: temas da sua abordagem preferida, histórias, temas do seu público-alvo;
Storyteller: contos curtos, crônicas, temas abordados, o nome de (talvez mais de) uma série que você está desenvolvendo;
[Quer mais exemplos? Pede nos comentários que eu adiciono.]
Se você organiza seus rascunhos em pastas, Notion ou algum outro lugar, tudo bem. Mas tenha a condição de separar seus textos por tema, para não se sobrecarregar.
Você já usa tags para os seus desenvolvimentos textuais? Quais são elas?
2.4.2. Agendamento
Considere a possibilidade de agendar posts. Não é regra, especialmente se a sua pegada é escrever uma vez por período (semanal, quinzenal, mensal, o que for), para sua audiência acompanhar seu progresso e cadência.
Mas se o que você escreve não precisa do timing daquela publicação, agendar pode ser interessante porque:
Libera tempo. Pode parecer contraditório no início, com dezenas de rascunhos, mas conforme você agenda publicações, o peso de ter que produzir dentro do prazo diminui. Se você oscila entre momentos de maior disponibilidade criativa e de tempo e uma correria estéril para a criação, agendar publicações das suas safras mais produtivas ajuda a respeitar seu ritmo na travessia dos vales, sem estresse.
Te ajuda a criar o ouro no meio da prata. conforme você cria “gordura” para as próximas semanas, você pode usar seu tempo liberado para dar um capricho naquela ideia específica para a qual você quer um brilho maior (no meu caso, o nome dessa jóia é Joana).
Respeito à audiência e Controle de ansiedade. Como você deve ter notado, cadência da minha escrita é explosiva. Estou com vários rascunhos em edição e constantemente fazendo novos textos. Na hora que eu termino a ideia, eu quero compartilhar. É uma sensação engraçada, inclusive, falar com o pessoal nas notes com o repertório tudo isso que eu já fiz, sendo que a galera está umas 9 temporadas “atrasadas” nos assuntos.
Respeito à audiência: Se eu saísse publicando tudo na hora por que quero compartilhar a ideia, seria um caos.
Muita informação, muita coisa, muito rápido, que ninguém daria conta de abrir tudo e seria possível até que eu perdesse inscritos por conta da overdose de publicações (inclusive já me deram esse feedback no início).
E ainda teria um segundo rebote, o vazio que vem depois, por que eu passo sim por montes e vales emocionais e criativos. Impondo uma cadência fixa, eu educo a audiência, ofereço um ambiente previsível e protejo o público das minhas próprias oscilações.
Controle de ansiedade: Com a expectativa de receber respostas, ver as métricas, esperar por feeback, eu (talvez não você, mas estou falando de mim) tenderia a colocar mais tempo do que deveria aqui. Facilmente entraria numa pilha de fazer mais para agradar e derramaria no caminho o molho da intencionalidade na escrita. Impor um ritmo fixo me ajuda na autorregulação sensorial e emocional.
Você deveria agendar seus posts?
Isso envolve muito de ti e da tua vida.
Só você pode responder.
2.5. Recheio (substância, tempero e molho)
Ah, eu te disse, não foi?
Eu te disse para ler 3 passos para elevar o nível da sua escrita, não foi?
A sacada para rechear a estrutura (ou brainstorms estruturados) que você fez com os passos acima é simples: eleve o nível da sua escrita, pela leitura, escrita e reescrita.
Não vou fazer chover no molhado com repetições desnecessárias. Aproveite-se na leitura:
Bônus: Como ter pelo menos 7 boas ideias por semana, de propósito (focado no contexto do Substack)
Hm, eu já dei spoilers do bônus.
Foreshadowing, na verdade.
Você percebeu?
Lá vai:
Fala com a galera.
Conversa mesmo.
Principalmente se você for como eu, que ainda não acertou a veia de como fazer notas que realmente instigam respostas, de uma forma que parece irresistível. É até melhor se você responder notas dos outros, não o contrário. Pois você já usa um questionamento que você não precisou elaborar para responder algo que quem começou a conversa não estava conseguindo produzir. É ser preguiçoso e inteligente nos momentos estratégicos, para agir com eficiência. Isso aqui é maravilhoso, porque promove aprimoramento instantâneo do seu repertório, usando a exposição ao repertório alheio. E é como eu gosto de dizer… o repertório é rei.
Leia as notas dos outros, que é mais rápido que sair lendo artigos inteiros. Mas se teve um artigo que te provocou, responda. Responda bem respondido mesmo! Responda com interesse, sobre o que te interessa ou sobre o que interessa responder. Compartilhe os links consigo mesmo(a), acompanhados de um bom setup provocativo, naquele grupo do WhatsApp (ou qualquer outro lugar que funcione para ti). Divirta-se no processo, responda as zoeiras também. Mas lembre-se que a caçada aqui é aos assuntos que te interessam o desenvolvimento. A prata desse tesouro é encontrar algo que você realmente queira expressar. Mas o ouro mesmo é encontrar algo que te cause um incômodo angustiante não falar.
Dica extra (opcional): As pessoas que me inspiraram os relâmpagos? Quando foi através de um diálogo, eu gosto de convidá-las como coautoras dos textos, mesmo que elas não façam alterações significativas. Por que é assim que eu as considero, eu sei que peguei os relâmpagos com elas. Mas isso também pode te render mais inscritos no Substack.
Quantas vezes você provavelmente já passou por assuntos desses, mas simplesmente passou, deixou passar? Quantos relâmpagos você já viu clarear sua mente mas nunca permitiu que se manifestassem no trovão da sua escrita?
Agora não mais.
Por que você será deliberadamente um para-raios.
E agora você sabe como armazenar relâmpagos e estruturá-los para materializar os seus trovões.
Vai, que é tua.
Esse foi um ensaio sobre a escrita, de A Longa Jornada de Mim.
Gostou?
(Eu coloco minha alma e coração aqui toda semana. Toda contribuição sua, pontual ou recorrente, é bem-vinda. Já te agradeço!)
Por aqui eu falo de muita coisa que não é sobre como escrever bem. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse:
Um post por semana, aos sábados.
A grande maioria deles, gratuitos.
Poesia às quartas-feiras. Sempre gratuita.
A Longa Jornada de Mim só tem alma e propósito com vocês, leitores(as). Para participar da Jornada. Vou te enviar um e-mail de boas-vindas personalizado, tá? Não é aquele e-mailzinho padrão xexelento do Substack não. É para quem escolheu participar da Jornada mesmo.
P.s.: Se você quer participar e apoiar esse trabalho, existe uma forma: uma inscrição paga. Porque escrita artesanal, sem IA, bem cuidada e curada precisa de apoio sim. Pelo preço de um YouTube Music (e descontos para grupos), você tem:
Contato direto comigo, no chat de membros apoiadores, para fazermos uma troca mais próxima, em comunidade;
Um espaço de conversa exclusivo nos posts mais íntimos, um ambiente seguro e longe da vitrine dos comentários públicos;
Acesso ao meu processo criativo, o que eu leio, penso e sinto para produzir… coisas que ninguém mais verá em livros, posts ou notes;
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