Bloqueou a pessoa? Inteira? Ou por assunto?
Eu acho legítimo e também saudável, cortar da convivência as pessoas que nos distratam. Mas, neste caso (rara exceção nos meus modos de pensar), eu opero com um pouco mais de nuance que a maioria.
Eu vou bloqueando as pessoas por assunto, sabe? Não precisa bloquear a pessoa inteira.
Se a pessoa foi ríspida, grosseira, ou qualquer coisa que a torne indigna de minha atenção… com tudo que minha atenção acarreta, como a consideração e os afetos… Não precisa bloquear a pessoa inteira. Pelo menos não assim, logo de primeira.
Em lugar disso, observo:
O que estava ao entorno? Qual o contexto em que se manifestou aquele comportamento, digno de meu rechaço? Em que assunto se enquadra esse contexto?
Pronto.
Esse assunto, de minha parte, está acabado entre nós. Neste campo, ao entorno desse contexto (aproximação romântica, atendimento profissional, conversar de assunto x ou y, etc.) que oportunizou o seu rebaixamento à indignidade de minha atenção… Nesse campo, eu te excluo. Está queimado o seu nome. E lavadas as cinzas.
Mas os outros campos talvez ainda vinguem bons frutos. É arriscado, por que a pessoa pode agir do mesmo jeito em todas as áreas. Mas pode ser que seja só um assunto que deu curto-circuito. Essa fagulha justifica incinerar a pessoa inteira da minha lista? Então evito fechar todas as portas que você poderia oferecer. Prefiro trancar a porta daquele assunto com a pessoa, não a porta da pessoa inteira.
Isso não significa, contudo, que eu me obrigue ou me comprometa, em qualquer medida, a te dar atenção gratuitamente.
Você que ouse falar comigo.
Ouse mesmo.
Se eu estiver ainda tratando as feridas, você saberá que estou nessa fase, pelo meu distanciamento. Mas, sarados os processos, responderei com gentileza à sua ousadia de me dirigir a palavra. Aliás, passado ainda mais tempo, é possível até (e inclusive é algo comum de minha prática pessoal) que eu te dirija o sorriso amigo, para te encorajar a ousadia.
Só não rola mais aquele assunto, por que acabou.
E cuidado para não provocar seu bloqueio em outros assuntos, ein? Se ficar reincidindo, chega uma hora que é melhor bloquear por completo mesmo. Enfim, cada um faz o que pode, inclusive manifestar comportamentos que demonstram suas incompetências e impossibilidades (inclusive eu, mas tenho cada vez mais cuidado com isso, por que ser objeto de vergonha alheia é ruim demais). Assim é a vida em sociedade.
Paciência.
É ou não é?
Mas eu quero amar.
Eu quero. Se eu tiver condições, quero amar toda a humanidade. Inclusive, em amor a mim mesmo, não quero lidar com o que não é digno de minha lida, andar para semear nos campos em que me rejeitam ou até me maltratam. Esse é o limite da manifestação do meu amor aos outros: o autorrespeito.
Eu quero, sim, a capacidade de bem querer e dar (para tudo aquilo que eu tiver a autêntica disposição em nossas relações) o melhor de mim para ti. Eu não quero dar por trancadas as portas que você não fechou. Minha luz, quero ao alto do meu farol, independente da posição das cortinas de suas janelas.
O P.s. de Drag Path dá um exemplo prático de como eu busco bloquear as pessoas por assunto. Principalmente se eu não dispuser da opção de não vê-las no dia a dia.
Se você gostou da pegada reflexiva dessa publicação, recomendo ler 6 Padrões mentais que arruinam qualquer relacionamento. Nele está a o fundamento psicológico/filosófico de muita coisa aqui na Jornada.
Essa foi uma reflexão intimista de A Longa Jornada de Mim.
Gostou?
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Por aqui eu falo de muita coisa que não é reflexão sobre vida em sociedade. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse:
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"oportunizou o seu rebaixamento à indignidade de minha atenção" -- Amei hahahaha. Adorei como encontrei esse texto, justamente trocando ideias contigo por notes. Vou tentar sua estratégia em um momento próximo :)
Tenho uma pessoa na minha vida que venho bloqueando há muitos anos. Um pouco aqui, outro ali. Ela insiste.
E insiste muito em pisar, não se toca que está sendo aos poucos, afastada.
Já quase não nos falamos mas ela sempre manda um “eu te amo viu!”.
Não, não ama.
O que ela ama em mim, é eu estar perto pra ela pisar.
Costumo nem responder.
Vou levando e por sorte (minha ou dela) a gente só se vê raramente.
Tô vendo a hora dela levar um block inteiro.
Mas eu prometi para uma pessoa (antes dela falecer) que eu não ia fazer isso.
Então vou levando.