Verônica é Lésbica. Amor da minha vida, ela é. Gostosa demais.
(Crônica sobre uma flor que a vida me deu, e como a vida pode ser uma megera irônica)
Verônica é lésbica. Gostosa demais.
Muié marombada, mas é welness que chama, agora (assim ela me disse).
Vive com whey protein na bolsa, pra poder fazer uma papinha com banana a qualquer momento do dia, para bater a ingestão diária de proteína. É pera um pouquinho para eu cuidar do meu wellnes, que ela diz. É uéulnens, que ela fala.
Linda.
Super inteligente.
Simpática.
Um amor.
Sou apaixonado por ela.
E ela sabe disso.
Detalhe importante: sou homem hétero.
Mas nossa, Verônica é gostosa demais.
Como a chance de romance entre nós é menor que zero, eu fico bem à vontade para abraçar, ficar junto, pegar a mão, puxar pela cintura, encostar a testa, dar beijo de esquimó. Ela sabe que eu não passo da linha da orientação dela, então reciproca tudo.
Ela foi uma das seis pessoas que veio para o meu almoço de aniversário de 32 anos, aqui em casa. Quase todos os vizinhos aqui no condomínio não foram convidados, mas ela, que não mora aqui, veio. Porque ela sabe das viagens que eu tenho, poucas vezes, com ideação suicida e, com mais frequência, desespero existencial. E respeita as sensações de desprezo que às vezes eu sinto pela vida humana na Terra, sem me julgar, doutrinar ou argumentar. Principalmente no dia do meu aniversário, que é quando eu fico à beira de surtos rompantes de não querer ter nascido. No máximo um peteleco, ela me dá. Na testa.
Tem cena nossa que daria inveja aos héteros que querem pegar ela, mas eu não faço pela inveja daqueles tontos não. É por que é gostoso mesmo, estar com Verônica.
Fomos viajar para passar 48 horas numa cidade pequena com uma praia maravilhosa. Eu, Verônica e uma amiga nossa, minha mãe. A gente fez bastante coisa junto, eu e Verônica. Andamos na praia, nadamos no mar, fomos explorar as pedras que seguram as quebradeiras das ondas e deixam as piscininhas para os turistas mais fastiosos de aventuras.
Mas caminhamos na praia enquanto a maré subia, e tivemos que escalar uns muros na volta para conseguir chegar ao apartamento que alugamos. E depois disso tudo, ainda ficamos conversando sobre nossos relacionamentos entre as ondas mais altas do dia, quando já estava escurecendo. No dia seguinte, fomos para o lado de quebradeira das ondas, para ver a água explodindo nas pedras. Só não dormimos juntos. Não que eu sinta a necessidade… mas quem sabe, na próxima.
Verônica já sabe o que vai acontecer em toda a série de O nome dela é Joana, porque eu contei a história em primeira mão para ela enquanto ela estava em meus braços na piscina, bem pertinho de mim. Eu aproveitei que a piscina não dava pé para ela, e ficava nas pontas dos dedos só para me aproveitar e levá-la nos braços. Ela só não sabe o nome de Joana. E ela sabe que isso não importa, porque entende que narrativas e o automelhoramento psicológico importam mais que esses detalhes factuais.
Eu sei dos traumas dela, porque ela contou para mim enquanto caminhávamos na praia, de mãos dadas. E eu apertei mais forte a mão dela quando ela me contou. Ela sabe dos meus traumas, por trás de minhas couraças, porque a convivência com ela dissolve essas couraças. Até o nome real de Poliana ela sabe (sim, Poliana, do Drag Path). E eu sei o nome das pessoas com quem ela ainda encontra desafios para não bloquear por inteiro, e às vezes, bem às vezes, a gente conversa sobre isso até a madrugada, aqui em casa.
Ela tem profundidade psicológica, boa fé no diálogo, capacidade de autoanálise e busca genuína pelo automelhoramento. A gente se ajuda, a gente se entende, a gente se ama mesmo. De meu irmão, ela me chama, e eu realmente me sinto feliz e satisfeito com esse lugar.
É uma flor que a vida me deu, Verônica.
Quanto de minha vida e meus anseios românticos seriam sarados numa parceria romântica com ela. Eu até já disse para ela, será que você um dia reseta de fábrica? Jocoso, claro, de brincadeira. Ela disse que não gosta de falar que alguma coisa na vida é impossível, mas não tem perspectivas de isso acontecer.
Eu agradeço, essa flor que a vida me deu.
E é fato que, às vezes, a vida apresenta o senso de humor de uma megera irônica.
Essa foi uma crônica de A Longa Jornada de Mim.
P.s.: Verônica é tudo isso de bom mesmo, viu? Ela me disse que se você tiver afim, mulher, pode mandar um direct. Pra mim. Sou o porteiro dela. Lésbica xexelenta, tonhão, não passa. Mas ela não julga se você não for uéulnens. Só precisa aguentar uns arrochos, porque ela é forte.
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Por aqui eu falo de muita coisa que não é a minha melhor amiga… que, tristeza, é lésbica. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse:
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