Você quer Amor, amor? Eu vou te mostrar. [Tradução]
(Um grito sobre sensibilidade rebelosa)
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A que veio antes dessa foi “O medo e a esperança”.
A que vem depois, “POESIA CONTEMPORÂNEA”.
Aviso de conteúdo sensível:
O texto a seguir aborda ideação suicida e desespero existencial. Não é recomendado para pessoas que estão em momento emocional sensível ou vulnerável.
Essa é a versão traduzida do poema. Se você lê inglês, recomendo que leia a original. A versão original está disponível aqui.
Você quer Amor, amor? Eu vou te mostrar.
Você quer bondade?
Você quer suavidade?
Sensibilidade enriquecida?
Um brilho de empatia, é isso que você precisa?
Eu vou te mostrar.
Depois que eu explodir as armaduras de concreto que você colocou ao redor do seu coração, você conhecerá a carne sensível que está por baixo.
Depois que você for forçado a cuspir o veneno entranhado em sua garganta, entupindo seus pulmões, eu fitarei fixamente seus olhos enquanto você respira pela primeira vez.
Você se pergunta por que está entorpecido e diz querer ser libertado? Eu vou te mostrar como é sentir a vida depois que quebramos as correntes que te mantêm refém no seu sono.
Pois nenhuma mentira pode nascer da verdade.
Nenhuma bondade pode nascer da indiferença.
Nenhuma suavidade pode nascer da distância.
Nenhuma sensibilidade surge sem dor em uma sociedade desensitizada.
E nenhuma empatia vem despida de agonia para quem vive em estruturas sociais vampíricas mutantes que se alimentam da miséria das massas há milênios.
Você quer amor, querido(a)?
MESMO?
A educação exclusiva e muito bem paga
Daqueles diretamente da sua laia em crescimento pleno
É tão urgente quanto os assassinados pelas balas e a fome?
Ou você prefere não pensar nisso, ser feliz sem ser insone?
A impotência sobre essa miséria te convenceu à negação?
Foi tão fácil assim provocar sua indiferença?
Trazer os assuntos para casa te fez desejar alguma distância?
Você quer bondade?
Você quer suavidade?
Você quer, mesmo?
Para quem?
E O QUE DIABOS FAZ VOCÊ ACHAR QUE QUALQUER OUTRO SER HUMANO NÃO MERECE ISSO?
Ou não é problema seu para lidar?
Não é, mesmo?
Então não é de ninguém, porque ninguém está disposto a fazer algo a respeito.
Não aqueles com algum poder significativo, de qualquer forma.
Parece que quanto mais poderosos eles se tornam, menos se importam.
Quanto mais mergulham na sujeira do poder, mais se tornam eles mesmos a sujeira.
Então isso te faz pensar que não é problema seu?
Bem, vamos lá, amor, você poderia ao menos se importar com isso?
Ora, por que não?
Será que é por que DÓI
Saber que você não pode FAZER NADA a respeito, não importa o quanto se importe?
POR QUANTO TEMPO você aguenta ter um coração entre aqueles que não têm?
O QUE VOCÊ PODE FAZER sobre o sofrimento sem nem fazer nem cócegas nas estruturas de poder?
DE QUE UTILIDADE é a empatia se todos ao seu redor se renderam à resignação?
DE QUE UTILIDADE É SANGRAR VOLUNTARIAMENTE SE VOCÊ É IMPOTENTE?
Deve ser melhor blindar seus sentimentos para sobreviver!
É mais seguro plastificar seus pulmões para não cheirar a podridão! Finja que está tudo bem…
E é assim, queridos, que eles vencem.
Os indiferentes.
Os distantes.
Os desensitizados.
Os sugadores de vida sem coração.
Eles se certificam de manter uma sociedade em que a psicopatia normalizada transforma inconscientemente a vida dos empáticos num inferno em vida torturante, até que eles finalmente escolham o suicídio, ou mudem de ideia, ou finjam que mudaram, para sobreviver. Porque você literalmente vai morrer de fome se não o fizer, diga-se de passagem.
Você está pronto para se rebelar?
Está?
Ser bondoso apesar da sua impotência?
Ser suave apesar da crueldade deles?
Desenvolver sensibilidade em um poço de agulhas?
Ser o amor quando todos esqueceram dele?
Bem, prepare-se para sangrar.
Eu sangrei desde os cinco anos,
Tentei me entorpecer,
Pensei em suicídio,
Eu odiei o fato de estar vivo.
Mas ei… por que não se rebelar, ein?
Estamos vivos mesmo.
Vamos morrer mesmo.
Vamos sangrar mesmo.
Vamos sofrer mesmo.
Então podemos muito bem nos esforçar para colocar uma cara de espanto idiota no semblante deles.
Quem pensaria numa coisa dessas?
Aquele louco estava disposto a se contradizer só para priorizar o amor?
É, esse sou eu. É isso aí.
E eles não vão matar o que sou antes de eu morrer.
(Anyone In My Shoes, 14/04/2026)
O poema Você quer Amor, amor? Eu vou te mostrar. e o original em inglês fazem parte do meu primeiro livro de poesia, o Doses Endovenosas de Humanidade.
Nele eu compartilho algumas histórias e contextos que só aparecem nessa edição física, que nenhum assinante online, gratuito ou pago, terá.
Aqui eu conto mais sobre a origem desse livro.
Esse foi um poema de A Longa Jornada de Mim.
© 2026 Theo Sant’Ana. Este texto é protegido por leis de direitos autorais. A reprodução total ou parcial não é permitida sem autorização expressa do autor.

P.s.: Para fazer essa publicação, eu usei o seguinte setup autoprovocativo, que é um dos 5 passos simples de uma linha de produção textual de um Processo Criativo Explosivo para sua escrita:
Para aprender como dar conta de mais de 30 rascunhos simultâneos usando uma linha de produção textual de apenas 5 passos, e como ter pelo menos 7 boas ideias por semana, de propósito, confira a publicação:
Processo Criativo Explosivo (para sua escrita)
Esse é um método de linha de produção textual criativa usando 5 passos simples, e um bônus ao final: como ter pelo menos 7 boas ideias por semana, de propósito.



