33
(Soneto de rejeição e aceitação à vida)
Acompanhe as publicações semanais de poesia aqui:
A que veio antes dessa foi “Doses endovenosas de humanidade”.
A que vem depois, “Por que as paixões são tão dolorosas?”.
33
Por quase trinta e dois anos te rejeitei, não quis ter nascido.
Foi ao inteirar trinta anos que comecei a me ver corrompido,
Por rejeitar minha própria existência, desprezar a minha vinda.
Pois neste desterro é melhor não ser que antecipar a partida.
As razões para não vir permanecem, a história segue perene.
Viver por um mundo melhor sem tê-lo é proposta insolente.
Aos trinta e um dissequei as raízes de minha revolta.
Entendi por que o niilismo antecede meus olhos em escolta.
Ao findar meus trinta e dois encontrei o invencível verão no inverno.
E aceito com mais leveza o dever de ser uma luz neste inferno.
De mim, do outro, do mundo, que por séculos cai em penumbra.
Da humanidade, inumanidade, afogada em maldade, de si, profunda.
Persisto de olhos abertos, ciente que a lucidez é uma mortalha.
E pela primeira vez resignado, me disponho para a batalha.
(Antônio Rodrigues, 04/04/2026)
O soneto 33 faz parte do meu primeiro livro de poesia, o Doses Endovenosas de Humanidade.
Nele eu compartilho algumas histórias e contextos que só aparecem nessa edição física, que nenhum assinante online, gratuito ou pago, terá.
Aqui eu conto mais sobre a origem desse livro.
Esse foi um poema de A Longa Jornada de Mim.
© 2026 Theo Sant’Ana. Este texto é protegido por leis de direitos autorais. A reprodução total ou parcial não é permitida sem autorização expressa do autor.
P.s.: O quê exatamente eu quero dizer por “lucidez é uma mortalha”? Aqui eu digo exatamente o que isso significa para mim, com uma perspectiva autobiográfica:
"Mãe, por que toda criança pobre tem a pele escura e cabelo enroladinho?"
Eu não consegui superar as observações que o Theo de 5 a 7 anos de idade fez. Agora, com 32 anos, eu ainda estou comendo os ensinos das mãos dele. Ele, em grande medida, para uns assuntos específicos, é um mestre que me guia nas ponderações éticas sobre as angústias, misérias e desgraças que ocorrem há milênios no mundo, sem apresentar grandes perspectivas de melhora.




