Afinal, o que é amor? (parte 2)
(Sobre expectativas, suicídio fracionado, abandono e deixar morrer)
Sim, “amor romântico” mesmo. Parte 2.
É sintomático, que eu acabe falando de coisas que não são o amor, me perguntando o que é amor. Afinal, o que faz uma pessoa que está perdida, ou que quer se situar num contexto desconhecido (ou que se tornou desconhecido)? Olha ao entorno. Como um caçador de tesouros circulando o terreno em busca do “X” no mapa.
Com o detalhe importante de que sou eu quem tem que fazer o mapa enquanto percorro o terreno.
E tem algumas perguntas que me torturam sutilmente enquanto ensaio uma cartografia que me ajude. E vou investigá-las, fazendo o possível para extrapolá-las e trazer uma reflexão que te sirva, também.
O fato de eu estar solteiro mesmo querendo um relacionamento significativo, ou “grande amor da minha vida”, significa que fracassei? Ou apenas preciso de mais paciência pela próxima década? Se for fracasso, significa que eu deveria desistir direcionar mais atenção para outras áreas da minha vida? Mas com ou sem expectativas românticas?
O fato de eu estar negociando a ideia de um “grande amor da minha vida” com a ideia de relacionamentos funcionais numa anarquia relacional (em que eu entendo que uma pessoa será ótima para conversas profundas, outra para ir ao café e dar risada, outra para romance e sexo, e não necessariamente todos esses atributos em uma só pessoa) significa que estou sendo mais pragmático e funcional? Ou que as decepções passadas me fizeram desistir de buscar o tal “grande amor”?
E quanto desse “pragmatismo” seria mesmo funcionalidade de um perfil comportamental ou cinismo enrustido? E de onde teria vindo esse cinismo… se o que eu queria era o amor?
Isso aqui é minha sincera tentativa de ensaiar algumas ideias no assunto.
Nota: eu não sou psicólogo. Só quero entender o que raios está acontecendo.
Sim, ESSA É UMA CONTINUAÇÃO de um ensaio que eu não sabia se ia fazer a parte 2. E eu sei que tem alguns (poucos, que bom) desmiolados e desmioladas por aqui que gostam de ler parte 2, 3 e mais, de coisas que eu publico, sem ler as partes anteriores… mesmo eu recomendando a leitura.
Até aí tudo bem, mas depois chegam fazendo perguntas desorientadas, de quem não leu. E eu respondo e sempre responderei todo mundo com decência e educação. Mas sinceramente… poupe-me. Prefiro desenvolver as ideias contigo, não ficar respondendo com conferência de leitura.
Minha recomendação é: releia a parte 1 (ou leia, se ainda não leu) antes de continuar a leitura aqui, para aquecer os motores.
Essa é a parte 1. Leia ☝️
Expectativas
Expectativas que tenho de mim…
Expectativas que tenho do outro…
… e o que fazer delas (?).
Sem ter um mínimo de senso de noção de que expectativas existem, não dá para avançar. E também é fundamental compreender as diferenças entre:
Criar expectativas.
Atribuí-las alguma importância.
Delegar-lhes função de identidade.
Atrelar outras dependências emocionais às suas realizações.
São processos mentais diferentes.
Julgar-se, condenar-se e criticar-se por não performar um comportamento que corresponda às expectativas criadas; e julgar, condenar e criticar o outro, pelos mesmos motivos…
São outros processos mentais, ainda.
E esse último, de julgamento e condenação, é mais que inútil, é contraproducente. Porque ao gerar culpa, gera-se também desavenças, discórdias, peso e doenças. E a ideia aqui é deixar o campo mais leve… e não se afogar em mais traumas, criados pelos seus próprios processos mentais.
Lembra das Lentes quebradas?
Realmente, ali eu falo sobre como traumas trincam, racham ou quebram de forma aparentemente irremediável as lentes da percepção.
Mas é possível que essas lentes estejam “apenas” sujas mesmo. Um evento recente (ou nem tanto) pode ter espirrado alguma sujeira, ou alguém pode ter vomitado ali. Ou então a poeira dos ambientes que você frequenta pode ter se acumulado nelas (e por “ambiente” entenda também as pessoas que estão nos contextos em que você transita e permanece).
Inclusive é comum revestir as lentes de todo mundo com películas-padrão de entendimento (é o que chamam de “cultural”, né?). E daí é possível que nasçam várias expectativas… que nem sabíamos que estavam ali.
Expectativas para si…
Eu quero mesmo um “amor romântico”, significativo e/ou duradouro? Ou só me acostumei a pensar que quero isso?
E mesmo que esse querer tenha sido implantado no subconsciente pela cultura, isso por si só significa que ele é errado? Ora, sou eu que tenho que escolher o que penso de meus pensamentos, sem ficar terceirizando essa escolha para o que penso das narrativas de suas origens! Eu quero ou não quero? Por quê e para quê? Para sim e para não?
É isso que vai me fazer bem?
No curto médio e longo prazo?
Ou eu só espero que isso faça bem?
Ou esperava e nem me dava conta disso?
A realização dessa expectativa é plausível?
(E cuidado, pois “fazer bem” curto-prazistas podem ser sabotadores de longo prazo.)
Por que assim (te dando um exemplo íntimo aqui), eu já sei de cor como é criar expectativas para um relacionamento romântico que seja “duradouro”: enquadrando tudo que acontece naquela narrativa de um começo do relacionamento que finalmente será o “para sempre”.
Mas há períodos da minha vida em que eu estou com o Caleb Followill oscilando entre Sex on fire e Use Somebody. Flertando ali para cantar Dark Necessities com o Kiedis.
Esses são os momentos em que aviso quem quer algo duradouro que se afaste, para evitar frustração. E se afastam mesmo, porque digo de maneira explícita para quem se aproxima que eu estou sim para aproximação, mas não para relacionamento (ou troco essa transparência pela rejeição evitante, se a pessoa for muito próxima).
Mas onde eu me coloco no meio de tudo isso? Vou me criticar por querer alguma relação sem desenvolvimento de um relacionamento? Condenar alguma carência que eu sinta? Julgar meus desejos a partir de um código de moralidade, que me foi ensinado a priori? (A quem interessa que eu o faça?)
Geralmente termino sem pegar ninguém (e me pergunto pra quê tanta filosofia, para chegar nisso hahaha). E por muito tempo me julguei errado nesses momentos, e simplesmente não abri as portas para nenhuma oportunidade que aparecesse. Até que a dor de estar só facilitasse a criação de projeções apaixonadas sobre um amor “significativo” e/ou “duradouro”, voltando para o que é “moralmente aceitável”.
Tá, mas e daí, Theo?
Bem, percebe como algumas críticas, julgamentos e condenações sobre romance surgem de expectativas e moralidades implícitas que estavam pré-instaladas na minha percepção de mundo? É para isso que te expus alguns pensamentos. Para mostrar a impressão que tenho disso, no momento em que estou.
E com isso dá para elaborar algumas questões que talvez te sirvam (e calma, que já vai fazer sentido). Será mesmo que o interesse em uma relação é uma versão eticamente “menor” do desejo por um relacionamento “significativo” ou “duradouro”? “Adulterada” pelos traumas de fracassos românticos? É mesmo cinismo querer algo assim?
É preciso ser niilista, cético ou antinatural para ter uma relação sexual ou desenvolvimentos eróticos com alguém sem um envolvimento emocional mais profundo? E fazê-lo? É condenável? Ou realmente “depende”? Pode ser feito de forma funcional, psicoafetivamente falando? E ainda que não seja, pode servir como redução de danos para alguns perfis? (E envolver-se inclusive com vínculo emocional, com diferentes pessoas, é realmente danoso ou varia caso a caso? Hipóteses, hipóteses, enquanto tomo meu café sozinho aqui na sala.)
O ponto aqui é mostrar — assim como eu fiz em Lentes quebradas em relação ao “amor” — que “lentes sujas” (ou pré-tratadas com filtros de valores sociais) podem gerar expectativas e cobranças em relação a “o que eu quero", ou “quem eu sou”, em relação a romances e “amor”.
E estar ciente desses filtros na percepção é fundamental para articular o que é “eu primeiro” e “o que eu quero”, abaixo.
Expectativas sobre o outro…
É literalmente isso.
É distanciar-se da vivência com o outro, colocando camadas de projeções mentais sobre essa vivência.
Então a questão é estar ciente de suas próprias projeções, mas sem querer impô-las ao outro, o que seria loucura. (E o nível hard é não impô-las a si mesmo(a).) É saber dialogar, inclusive sabedo colocar suas projeções e negociá-las à mesa.
Claro que que isso só funciona com alguém que esteja numa proposta semelhante de diálogo e (auto)entendimento.
Mas aí você só pode fazer a parte que te cabe, né?
A sua.
Porque não adianta, querer cobrar o outro do dever de casa dele, que deveria ser mútuo… enquanto você não fizer o seu.
… e o que fazer delas?
É possível, não criar expectativas?
Brincadeiras à parte… não.
Você consegue imaginar a vida em sociedade sem nenhuma tentativa de projeção ou antecipações de padrões em relação à conduta alheia? Como é que fica a função da comunicação e a linguagem?
(Eu poderia fazer digressões, mas peço que você releia. Três vezes.)
Não há como “não criar expectativas”. O problema é dar muita atenção às narrativas criadas. Porque projetar ou idealizar demais sobre as narrativas criadas pode inviabilizar suas realizações. E colocar-se como dependente emocional de suas realizações faz com que a realidade comece a parecer uma ameaça.
Você consegue imaginar o quanto de sofrimento e frustrações depressivas e ansiosas podem ser geradas com isso?
Consegue sim, que eu sei. Às vezes nem precisa imaginar, basta não recalcar ou ter memória curta.
Será que parte do sofrimento que você já teve com o “amor” na verdade não veio daí?
Certamente muito do meu veio.
O que é “amor romântico”?
E se…
E se o que chamamos de “amor romântico” na verdade for uma daquelas expectativas-padrão, instalada em nossas mentes? De que o “amor romântico” na sua vida é a pessoa que vai resolver suas carências, angústias e anseios? Daqueles que você nem sabia que tinha? Alguém que te “completa”.
E se…
… na verdade, estivéssemos desesperadamente procurando essa solução mágica para os vazios que nós mesmos ainda desconhecemos, sob o rótulo de um “amor romântico”? Mas não soubéssemos disso antes, porque apenas procurávamos um rótulo desconhecendo que a garrafa que ele encobriria… possivelmente nunca existiu?
“Eu quero alguém que me complete” (criou a expectativa).
“Eu preciso encontrar esse alguém” (atribuiu-lhe importância, que não é pouca; “precisar” é condição de existência).
“Eu sou uma pessoa romântica” (delegou função de identidade à expectativa).
Nem deu para falar de atrelar outras dependências emocionais às realizações da expectativa, porque “preciso” já é o cúmulo.
Talvez…
Talvez a cultura de “cara-metade” e esperar que um outro “nos complete” crie uma crença fundamental (subconsciente ou inconsciente) de que alguém outro seja parte da minha condição de existência.
E projetar expectativas disso tudo sobre uma pessoa gera grande carga de ansiedade.
Talvez seja por isso que é tão comum associar adrenalina ao contexto romântico; e tão difícil ver alguém falando de “amor romântico” sem conseguir distingui-lo dos significados de “paixão”, expectativas e projeções idealizadas (tem até análise de Dostoiévski apontando nessa direção). E, por fim…
Talvez seja por isso que algumas rejeições românticas sejam tão tétricas, e essa seja uma experiência tão comum. Quase pandêmica.
Por que a experiência de “o amor me machucou” é tão comum?
O que acontece quando você diz que faria qualquer coisa para ter esse “amor”?
Se anula. Amputa sua própria autenticidade. Corta qualquer possibilidade de indício de algum traço de identidade ou comportamento que te coloque em risco de rejeição. Afinal, você não é “você” se não tiver esse “amor”. Mas para se adequar às suas projeções e às projeções do outro, você se torna menos “você” ainda.
E é claro que isso é um prato cheio nas mãos de alguém sádico ou “apenas” narcisista. Não preciso nem quero entrar nessa seara aqui, porque não é meu campo. E já tem bastante conteúdo disso por aí. Que eu leio, inclusive. Mas não vou trazer para cá.
Mas ainda que a pessoa não seja perversa, é bem provável que a dinâmica seja abusiva. Basta, de um lado, termos alquém que sabe cobrar sem querer mudar; e, do outro, alguém disposto a se adaptar.
Quando a pessoa sabe o que quer, pode ser até algum avanço (se tiver algum nível de racionalidade, senso de realidade e respeito). Mas quando ela não sabe, é pior. Por que quem não tem noção consciente e declarada do que quer, pode se frustrar com qualquer coisa ou ficar dobrando as expectativas a esmo.
É extremamente injusto e cruel, querer que o outro seja aquilo que vai suprir questões suas, que você nem sabe enumerar. É injusto com o outro, o egoísmo de querer que ele seja uma fonte de satisfação de seus défices e carências (que às vezes você nem se permite saber que existem). E é cruel consigo, viver com expectativas tão altas, ao mesmo tempo que nem sabe bem o que quer. Por que tudo fica “relativo” demais. E as frustrações são a queda das expectativas. Quanto maior a expectativa…
Paradoxo do “eu primeiro”
É nesse ponto de entendimento que ressoam as ideias de “ame-se primeiro” e “torne-se a pessoa que você gostaria de encontrar”.
Mas preferi chegar aqui como quem se esforça para sair de um atoleiro, e não começando logo o texto com uma fórmula filosófica. Ora, pois quem escreve e quem lê a segunda parte de um ensaio de título “Afinal o que é amor?” está claramente perdido(a) no assunto ou buscando um caminho.
E eu quero encontrar um caminho.
Um caminho saudável para ter relações funcionais (respeitosas comigo e com o outro), com as doses de afeto, proximidade, erotismo e intimidade (e coloquei intimidade depois de erotismo, porque sabemos muito bem que aquela vai muito além desse).
E esse caminho tem que começar em mim.
Se “amar-me primeiro” não for a primeira coisa que penso no contexto de amor romântico, então correrei um grave perigo: o de esperar que a pessoa que representa o “amor” seja exatamente aquela que vai suprir o amor que ainda não tenho por mim; que completará aquilo que eu não me tornei nem tenho a disposição para me tornar; que mostrará os caminhos que eu nem me dispus a pesquisar. (Um poço de autossabotagem, esse “amor”.)
Não estou dizendo aqui que não se deve esperar que a pessoa seja companheira de fato, encorajando nosso progresso e auxiliando no processo de autodescoberta (o que estaria incluso no “respeitoso e funcional”). A questão aqui é evitar terceirizar meus processos internos de autodescoberta e melhoramento.
Em outras palavras: Como é que eu poderia querer que alguém me acompanhe, sem nem tem senso de noção de quem eu sou e para onde estou indo?
Não faria sentido.
Vida a dois ou vida a três?
(Não, não é incitação a swing ou ménage.)
Na verdade é o que a Bruna fala no Três vidas, dois vinhos e um samba, de maneira bem mais didádica, sobre como ter um relacionamento saudável. E com uma diferença de referencial super importante: enquanto eu estou ensaiando possibilidades ela fala disso organizando a própria vivência prática dela (sim, ela conseguiu!). Vale a pena ler.
Mas a vida a três é essa: eu, você e nós.
E colocar “eu primeiro” é uma vacina aos ressentimentos.
Na minha vida, eu primeiro, e você junto comigo.
Na sua vida, você primeiro, e eu junto com você.
E no comum acordo de nossa convivência, cada um de “nós primeiro” também.
E o “nós primeiro” não deve ferir o “eu primeiro” de cada um.
Não é contraditório!
Por que são ambientes diferentes, que devem coexistir, não competir; eu, você e nós.
Um não deve anular nem contrariar o outro. É abuso quando um dos dois (eu ou você) começa a anular o outro; e até mais problemático quando nós começa a engolir eu e/ou você, porque cada um precisa preservar sua identidade. Negar isso é colocar sua própria noçãode identidade e rede de apoio em risco, que pode levar a crises psíquicas graves.
Não é contratidório dizer que todos vêm primeiro, porque devem andar lado a lado e de mãos dadas. Mas é, sim, trabalhoso. Exige comunicação, clareza. Tratamento de silêncio? Pelo amor de Deus, viabilize-se para vida em sociedade antes de querer um romance!
E, afinal, o que “eu quero”?
(E você se pergunta na primeira pessoa também, ok?)
Eu tenho noção?
De onde estou e para onde quero ir?
Do que é negociável numa convivência?
Do que é inegociável numa convivência?
Do que eu quero de ti?
Por que se eu sei o que eu quero, então eu sei o que é um amor “significativo”. Ou, pelo menos, se eu tenho alguma noção do que eu não quero eu já sei identificar bandeiras vermelhas dos territórios que eu não quero entrar.
E é a partir disso que eu avalio se é plausível procurar uma pessoa que me atenda no que eu quero; e se eu estou mesmo me dispondo a atendê-la no que ela quer, também. Nós nos atendemos em nossos interesses?
Querer ou não morar na mesma residência, constituir ou não família, construir um relacionamento longevo ou querer algo temporário; a inegociabilidade dessas questões farão com que “significativo” convirja ou divirja de “longevo”.
Há alinhamento de interesses?
(Isso só é possível com interesses claros.)
Eu já procurei pelo “pacote completo”.
E não sei te dizer se desisti ou posterguei a busca por ele…
Ou se simplesmente resolvi não insistir nessa ideia específica e comum de “amor romântico”. Porque ela não é relevante, funcional ou acessível ao momento de vida em que estou, em um verdadeiro interlúdio pessoal e profissional.
Responder o que é “amor romântico”, neste momento, é menos importante do que saber o que eu quero de mim e das pessoas ao meu redor (e é aqui que entra aquela anarquia relacional que falei no início):
Eu quero ter conversas inteligentes com poucos amigos, um por vez, em cafés ou comendo sushi;
E umas leseiras com os brothers comendo uns hamburgões, também;
Eu quero ver minha afilhada de dois anos e meio em alguns fins de semana, que eu não sei quem se derrete mais um pelo outro, se ela ou eu;
Eu quero conversar com pessoas inteligentes no Substack;
Eu quero ir a mais concertos à luz de velas e maratonar filmes em casa com Verônica, quando ela tirar férias;
E alguém para transar e fazer cafuné?
Seria ótimo! De preferência com conversa boa, que é capaz de ir ficando pra sempre.
Mas dá até uma preguiça, porque eu sei que isso vem num contexto de conexão pessoal e intimidade (e eu já indiquei acima o que eu penso de intimidade); a pessoa não é mero objeto de meus desejos e esse tipo de intimidade eu não consigo tratar como serviço (não julgo quem o faz, deve facilitar a vida; mas é assim que eu me sinto).
E se o nível de atenção que eu tenho para dedicar à conexão for insuficiente para o que a pessoa espera… tudo bem (falo chorando, mas tudo bem hahahahahaa). Clarice que o diga, terminamos porque ela se sentiu abandonada em detrimento de meus estudos e trabalho. E tudo bem, porque eu não queria aprisioná-la numa percepção de abandono e ela também entendeu por que eu não tinha perspectivas de mudança.
Dói, mas foi o melhor que conseguimos para nossos “eu primeiro”.
Parece até piegas, mas às vezes vale uma ou mais conversas longas ou antes de dar um beijo, sabe? Para saber o que está no “eu primeiro” do outro. Principalmente quando o fator longevidade do “nós” é inegociável para ao menos uma das partes.
Porque se não for assim, corremos risco de tornarmo-nos estorvos um na vida do outro. Não por má fé, maldade ou perversidade, mas simplesmente pela falta de comunicação.
De escuta, arranjo, e acordo direcionado sobre a escuta. E a maturidade honesta para saber fechar o ciclo ao perceber que as coisas menores (ou negociáveis) estão ferindo as maiores (não negociáveis), de mim, do outro ou do relacionamento.
E é isso, maricotas e maricas.
Pensei que ia tratar de muito mais assuntos, tinha salvado referências, links de notes ressignificando a questão do “paixão é fogo, amor é brasa”…
Mas ufa, né.
Já dá pra pensar um pouco.
Deu para repensar? Reorganizar?
Tem críticas a fazer ou divergências a declarar?
Você chegou até aqui… qual parte mais te tocou?
Esse foi um ensaio de A Longa Jornada de Mim.
© 2026 Theo Sant’Ana. Este texto é protegido por leis de direitos autorais. A reprodução total ou parcial não é permitida sem autorização expressa do autor.
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