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Teve alguém que perguntou em uma note minha se o amor existe. Não respondi, porque honestamente não sei. Pelo menos o romântico. Se existe, deveria doer tanto?

Ou, como você disse, a gente nomeia o amor a partir das próprias experiências, e aí o nome vira tão confuso quanto a vivência.

Se eu pudesse responder hoje, diria que amor é segurança. Não a segurança de garantia, de ter aquela pessoa ao lado pra sempre. Mas a de poder falar abertamente sobre coisas que só se diria a um amigo, sem pisar em ovos ou perder a própria identidade pra agradar, viver em estado de alerta. A segurança de deitar e dormir tranquilo sabendo que aquela pessoa vai te respeitar, esteja você presente ou não.

Clarice faz sentido exatamente aqui. Tem uma maturidade nessa parte, encerrar um ciclo sem precisar que seja tão doloroso e traumático.

Não existe perfeição no amor. Mas existe escolha. A escolha de estar ali todos os dias, não como cumprimento de tabela, mas como parceria. Uma atenção ao detalhe que reconhece o que o outro precisa antes de falar, porque a intimidade não é só a do corpo. É a da alma também. Ser vista.

Qual a parte que mais me atravessa? A das lentes rachadas. a gente passa tanto tempo tentando limpar o vidro, achando que é sujeira, que é o momento, que é a pessoa errada. Até perceber que o problema não é a visão turva. É que as lentes já vieram assim, e a gente aprendeu a enxergar o mundo através delas como se fosse normal. Lindo texto.

Avatar de R.A.S

Lá pelos 34, escrevia eu "Veneza se afunda e não faço a proeza do amor eterno" .

"Veneza, são as águas que externo", mais ou menos assim. Hoje em dia a poesia em si é o amor que fica. Tô só tentando ser uma página em branco para quem chega. Parecia impossível, mas aqui estou. Te vejo desse lado 🫂

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