Teve alguém que perguntou em uma note minha se o amor existe. Não respondi, porque honestamente não sei. Pelo menos o romântico. Se existe, deveria doer tanto?
Ou, como você disse, a gente nomeia o amor a partir das próprias experiências, e aí o nome vira tão confuso quanto a vivência.
Se eu pudesse responder hoje, diria que amor é segurança. Não a segurança de garantia, de ter aquela pessoa ao lado pra sempre. Mas a de poder falar abertamente sobre coisas que só se diria a um amigo, sem pisar em ovos ou perder a própria identidade pra agradar, viver em estado de alerta. A segurança de deitar e dormir tranquilo sabendo que aquela pessoa vai te respeitar, esteja você presente ou não.
Clarice faz sentido exatamente aqui. Tem uma maturidade nessa parte, encerrar um ciclo sem precisar que seja tão doloroso e traumático.
Não existe perfeição no amor. Mas existe escolha. A escolha de estar ali todos os dias, não como cumprimento de tabela, mas como parceria. Uma atenção ao detalhe que reconhece o que o outro precisa antes de falar, porque a intimidade não é só a do corpo. É a da alma também. Ser vista.
Qual a parte que mais me atravessa? A das lentes rachadas. a gente passa tanto tempo tentando limpar o vidro, achando que é sujeira, que é o momento, que é a pessoa errada. Até perceber que o problema não é a visão turva. É que as lentes já vieram assim, e a gente aprendeu a enxergar o mundo através delas como se fosse normal. Lindo texto.
No fim das contas… Respeito, né? À presença do outro, preservando a dignidade. Honrar os espaços mútuos que foram conquistados e construídos. E também os espaços que já existiam ali antes de construir o comum.
Sobre as lentes rachadas, lembrei de uma cena de um filme bestinha. Sabe Spiderman Far From Home? A perda do sentido aranha representa a desconfiguração da autoconfiança adolescente. E solução que ele encontra ao fim é fechar os olhos, porque não dá pra confiar no que vê. E deve ter dado um medo do caramba hehehehehe. Mas me parece uma boa analogia para lidar com lentes rachadas. Porque o trauma é familiar, e o escuro da incerteza de novos cenários assusta, exatamente por conta dos traumas já vistos.
Eu sempre peço para as melhores oportunidades só chegarem até mim quando estiver pronta. Não adianta conhecer o amor da sua vida na época errada. E uma coisa que observei no seu texto e talvez você não seja assim, mas você pensa bastante e parece ser totalmente extrovertido. Será que estou certa? Belo texto, obrigada por compartilhar.
Sobre amor certo na hora errada recomendo O nome dela é Joana.
E sim, eu penso muito. Mas não sou extrovertido. Eu consigo performar socialmente como extrovertido, sem problemas, mas a bateria social queima rápido. É que eu me solto mais na escrita. Que costuma ser carregada emocionalmente. Além de eu expor bastante do que me é íntimo, então gera essa aproximação e vínculo, que você deve ter associado à extroversão.
Grato, querida. Que bela paixão à primeira vista, espero que dure na brasa (:
O nome dela é Joana é o nome da minha novelinha mensal no Substack, que já tem epílogo redigido. Semana que vem, sai a parte 3. Mas pretendo adaptar para um romance sim, saberás quando eu lançar, vou fazer barulho hahahahaha
Espetacular!!! Que escrita. Queria compartilhar mais da minha experiência com o amor, o romântico mesmo, mas creio ainda não possuir os recursos ou melhores, as respostas e reflexões necessárias para contribuir.
My, oh my. Grato, querida, pela leitura e apreciação. Desde que você disse que é "fã" da minha escrita em algum lugar, eu tenho que ter cuidado pra num andar de nariz empinado por aí hahahaha
Fiquei curioso por alguma contribuição sua no assunto. Talvez textos curtos funcionem melhor, se você se sente "acanhada".
Porque um ensaio dispõe de opiniões e impressões já consolidadas em algum nível. Percebe que o desenrolar desse texto é como um rejunte agregando paralelepípedos, buscando pavimentar uma via de compreensão?
Você poderia começar pelos seus paralelepípedos. Pequenas impressões. Pequenas opiniões. Mesmo que elas sejam superadas à frente. Mas ficam de referência, para ir agregando ao repertório. Isso dá uma latência entre o texto e ideias mais profundas do pensamento, como um reverb ligado que vai saturando as impressões sobre o assunto, durante a leitura.
Isso é assunto da minha segunda newsletter, mas quiser compartilhar contigo 🤫
Pela minha opinião e percepção (e é só isso mesmo), me parece uma conceituacão daquelas do início do texto (sobre a polissemia e amor vs. trauma).
Inclusive, se se referir à paixão, está exatamente correto. Poraue paixão é um estado de surto psicológico. Sabemos hoje que a neurociência comprova o que os mais antigos intuíram. Afinal, "paixão" deriva de "pathos" que é doenca. Paixão é uma loucura que a sociedade normalizou.
Mas se foi isso mesmo que tu quisestes dizer... ainda assim cairia na questão da polissemia do início do texto não é mesmo?
Amor como segurança de ser vista, essa definição ficou comigo. Porque a gente passa tanto tempo querendo ser desejada que esquece de perguntar se está sendo de fato vista. São coisas tão diferentes. E tão raramente as duas ao mesmo tempo.
Escrevo sobre amor há anos e ainda não sei definir. Mas sua frase do fogo e brasa me atravessou essa semana, saiu um texto por conta dela. Obrigada por isso.
Quero sim, a parte 2. Estou gostando mais do que pensei de te ler…
Ma, gratidão, primeiro pela leitura e apreciacão Mesmo, que bom que está gostando (:
Ser vista sem ser objetividade, né querida? Eu falei en passant ali no meio do ensaio, mas estou repetindo em quase todas as respostas aos comentários aqui: Respeito. É ter a dignidade de ser tratada como o ser que você é, sem ser convertida em objeto na mente de quem te... trata.
Não sei quando, mas vem parte 2 sim. Preciso de mais uns gatilhos da vida, pra dar uma aprofundada hehehehehe. Mas farei sim
Seguindo a linha de Bukowski, eu discordo dele. Na minha perspectiva o amor é o que fica depois que a luz da realidade bate, queima tudo ao redor, e você se pergunta porquê. Por que eu ainda estou aqui? Por que vou me deixar de lado por ele? Por que me doar onde eu precisava me doar a mim mesma? Amor é o que responde. E o amor romântico, é o que você encontra todo dia em pequenos atos, quando a realidade dissipou o obvio. Deixa de ser ações rebuscadas e grandiosas, pra ser um café na cama, um beijo na testa, uma preocupação genuína com o bem-estar da pessoa mesmo quando seu orgulho grita por socorro.
Mesmo antes de publicar, eu já vi que "amor apaixonado" seria uma contradição em termos, não "amor romântico". Mas é um ensaio. Quis deixar a reflexão como está. Você fala isso tudo e eu leio: "Respeito". Ao espaço conquistado, de afeto, de proximidade, de maneira digna. Né?
Sim. No final, não tem resposta certa. Acho que essa compreensão vai além do que o ser humano consegue fazer sentido. Reflexões abertas são perfeitas pra isso!
Teve alguém que perguntou em uma note minha se o amor existe. Não respondi, porque honestamente não sei. Pelo menos o romântico. Se existe, deveria doer tanto?
Ou, como você disse, a gente nomeia o amor a partir das próprias experiências, e aí o nome vira tão confuso quanto a vivência.
Se eu pudesse responder hoje, diria que amor é segurança. Não a segurança de garantia, de ter aquela pessoa ao lado pra sempre. Mas a de poder falar abertamente sobre coisas que só se diria a um amigo, sem pisar em ovos ou perder a própria identidade pra agradar, viver em estado de alerta. A segurança de deitar e dormir tranquilo sabendo que aquela pessoa vai te respeitar, esteja você presente ou não.
Clarice faz sentido exatamente aqui. Tem uma maturidade nessa parte, encerrar um ciclo sem precisar que seja tão doloroso e traumático.
Não existe perfeição no amor. Mas existe escolha. A escolha de estar ali todos os dias, não como cumprimento de tabela, mas como parceria. Uma atenção ao detalhe que reconhece o que o outro precisa antes de falar, porque a intimidade não é só a do corpo. É a da alma também. Ser vista.
Qual a parte que mais me atravessa? A das lentes rachadas. a gente passa tanto tempo tentando limpar o vidro, achando que é sujeira, que é o momento, que é a pessoa errada. Até perceber que o problema não é a visão turva. É que as lentes já vieram assim, e a gente aprendeu a enxergar o mundo através delas como se fosse normal. Lindo texto.
Grato Tay, pela presença, leitura e resposta.
No fim das contas… Respeito, né? À presença do outro, preservando a dignidade. Honrar os espaços mútuos que foram conquistados e construídos. E também os espaços que já existiam ali antes de construir o comum.
Sobre as lentes rachadas, lembrei de uma cena de um filme bestinha. Sabe Spiderman Far From Home? A perda do sentido aranha representa a desconfiguração da autoconfiança adolescente. E solução que ele encontra ao fim é fechar os olhos, porque não dá pra confiar no que vê. E deve ter dado um medo do caramba hehehehehe. Mas me parece uma boa analogia para lidar com lentes rachadas. Porque o trauma é familiar, e o escuro da incerteza de novos cenários assusta, exatamente por conta dos traumas já vistos.
Eu sempre peço para as melhores oportunidades só chegarem até mim quando estiver pronta. Não adianta conhecer o amor da sua vida na época errada. E uma coisa que observei no seu texto e talvez você não seja assim, mas você pensa bastante e parece ser totalmente extrovertido. Será que estou certa? Belo texto, obrigada por compartilhar.
Grato, Anne, pela leitura e apreciação (:
Sobre amor certo na hora errada recomendo O nome dela é Joana.
E sim, eu penso muito. Mas não sou extrovertido. Eu consigo performar socialmente como extrovertido, sem problemas, mas a bateria social queima rápido. É que eu me solto mais na escrita. Que costuma ser carregada emocionalmente. Além de eu expor bastante do que me é íntimo, então gera essa aproximação e vínculo, que você deve ter associado à extroversão.
Você escreve tão bem que acho que acabei de me apaixonar pela sua escrita. Vou procurar o livro, amo esse tipo de recomendação.
Grato, querida. Que bela paixão à primeira vista, espero que dure na brasa (:
O nome dela é Joana é o nome da minha novelinha mensal no Substack, que já tem epílogo redigido. Semana que vem, sai a parte 3. Mas pretendo adaptar para um romance sim, saberás quando eu lançar, vou fazer barulho hahahahaha
Espetacular!!! Que escrita. Queria compartilhar mais da minha experiência com o amor, o romântico mesmo, mas creio ainda não possuir os recursos ou melhores, as respostas e reflexões necessárias para contribuir.
Adorei vários trechos
My, oh my. Grato, querida, pela leitura e apreciação. Desde que você disse que é "fã" da minha escrita em algum lugar, eu tenho que ter cuidado pra num andar de nariz empinado por aí hahahaha
Fiquei curioso por alguma contribuição sua no assunto. Talvez textos curtos funcionem melhor, se você se sente "acanhada".
Porque um ensaio dispõe de opiniões e impressões já consolidadas em algum nível. Percebe que o desenrolar desse texto é como um rejunte agregando paralelepípedos, buscando pavimentar uma via de compreensão?
Você poderia começar pelos seus paralelepípedos. Pequenas impressões. Pequenas opiniões. Mesmo que elas sejam superadas à frente. Mas ficam de referência, para ir agregando ao repertório. Isso dá uma latência entre o texto e ideias mais profundas do pensamento, como um reverb ligado que vai saturando as impressões sobre o assunto, durante a leitura.
Isso é assunto da minha segunda newsletter, mas quiser compartilhar contigo 🤫
A questão nem é o texto acredita? A minha é o tema sensível kkkkkkkkkkk parece que me faltam palavras
Iiiiihhhhhhhhh… tá. É, realmente. Força aí para lidar com tudo isso, querida.
Resposta curta: O amor é uma armadilha.
Hahahahaha Tétrico. Amargurado. Cômico. Mas... discordo (:
Pela minha opinião e percepção (e é só isso mesmo), me parece uma conceituacão daquelas do início do texto (sobre a polissemia e amor vs. trauma).
Inclusive, se se referir à paixão, está exatamente correto. Poraue paixão é um estado de surto psicológico. Sabemos hoje que a neurociência comprova o que os mais antigos intuíram. Afinal, "paixão" deriva de "pathos" que é doenca. Paixão é uma loucura que a sociedade normalizou.
Mas se foi isso mesmo que tu quisestes dizer... ainda assim cairia na questão da polissemia do início do texto não é mesmo?
Amor como segurança de ser vista, essa definição ficou comigo. Porque a gente passa tanto tempo querendo ser desejada que esquece de perguntar se está sendo de fato vista. São coisas tão diferentes. E tão raramente as duas ao mesmo tempo.
Escrevo sobre amor há anos e ainda não sei definir. Mas sua frase do fogo e brasa me atravessou essa semana, saiu um texto por conta dela. Obrigada por isso.
Quero sim, a parte 2. Estou gostando mais do que pensei de te ler…
Ma, gratidão, primeiro pela leitura e apreciacão Mesmo, que bom que está gostando (:
Ser vista sem ser objetividade, né querida? Eu falei en passant ali no meio do ensaio, mas estou repetindo em quase todas as respostas aos comentários aqui: Respeito. É ter a dignidade de ser tratada como o ser que você é, sem ser convertida em objeto na mente de quem te... trata.
Não sei quando, mas vem parte 2 sim. Preciso de mais uns gatilhos da vida, pra dar uma aprofundada hehehehehe. Mas farei sim
Se perguntar o que é o amor pra mim
(Não sei responder)
(Não sei explicar)
Mas sei que o amor nasceu dentro de mim
Me fez renascer, me fez despertar
Me disseram uma vez que o danado do amor
Pode ser fatal
Dor sem ter remédio pra curar
Me disseram também que o amor faz bem
E que vence o mau
E até hoje ninguém conseguiu definir
O que é o amor
Cruz- Arlindo
RJ/2007
Foi impossível não lembrar dessa. Kk
Bom texto Theo.
Hahahaha, no fim era eu correndo atrás do próprio rabo, falando o wue alguém já disse! Nada se cria.
Grato, Ana (:
Seguindo a linha de Bukowski, eu discordo dele. Na minha perspectiva o amor é o que fica depois que a luz da realidade bate, queima tudo ao redor, e você se pergunta porquê. Por que eu ainda estou aqui? Por que vou me deixar de lado por ele? Por que me doar onde eu precisava me doar a mim mesma? Amor é o que responde. E o amor romântico, é o que você encontra todo dia em pequenos atos, quando a realidade dissipou o obvio. Deixa de ser ações rebuscadas e grandiosas, pra ser um café na cama, um beijo na testa, uma preocupação genuína com o bem-estar da pessoa mesmo quando seu orgulho grita por socorro.
Seu texto me veio em um ótimo momento, obrigada.
Grato, Pam, pela leitura e apreciação (:
Mesmo antes de publicar, eu já vi que "amor apaixonado" seria uma contradição em termos, não "amor romântico". Mas é um ensaio. Quis deixar a reflexão como está. Você fala isso tudo e eu leio: "Respeito". Ao espaço conquistado, de afeto, de proximidade, de maneira digna. Né?
Sim. No final, não tem resposta certa. Acho que essa compreensão vai além do que o ser humano consegue fazer sentido. Reflexões abertas são perfeitas pra isso!