Eu fui ao cinema, sem Instagram
(Crônica sobre a maravilha de ir ao cinema sem ser comandado pela paranóia portátil em meu bolso)
Eu fui ao cinema.
Já fazia algumas semanas que desativei o Instagram.
E que maravilhosa foi, aquela ida ao cinema.
Só quem sabia que eu tinha ido era o pessoal lá de casa, que não foram comigo.
Eu fui mesmo, sem ninguém ver.
E que libertador foi, lembrar do impulso de interromper o que eu estava fazendo, para fazer stories mostrando que eu fingia fazer o que na verdade eu tinha interrompido. Mas eu não interrompi. Dessa vez eu fiz o que eu estava fazendo mesmo, sem ninguém ver.
Que maravilha foi, não usar cada passo que eu dava para gerar sequências de um texto publicitário marketeiro, forçando a leitura de quem tem curiosidade pela minha vida, como se eles tivessem curiosidade pelo serviço que eu ofereço. Sem chamadas para ação ou contação de história forçada, sem soquinhos ou gancho de direita. Eu só andei mesmo, sem ninguém ver.
Eu vi os corredores do shopping, e é um ambientezinho asséptico e sem graça, eu sei, mas eu passei pelas lojas chiques que ficam perigosamente perto daquelas lojinhas xexelentas. Eu gosto das xexelentas, mas a estética da câmera frontal precisa capturar as chiques. Eu passei pelos momentos críticos em que eu teria que parar para capturar a magnâmia chiqueza sem traços visuais de xexelência logo ao lado… e não parei. Nem tirei o celular do bolso. Eu só passei mesmo, sem ninguém ver.
E aos curiosos sobre minha vida. Os que querem por que querem, mas querem mesmo saber. Se estou solteiro, se estou de namorada, se estou de namorado, se estou de crush, se já aceitei o celibato, se decidi virar monge ou freira e será que minha boca está parada ou está mesmo é beijoqueira. Dentre outras coisas, que eu nem imagino aqui o que vocês se perguntam.
A vocês, eu digo: eu fui ao cinema.
Eu estava sozinho e aproveitei o filme. Eu estava acompanhado e não vi o filme, de tanto que beijei. Eu estava sozinho, mas até o fim do filme eu fiz um novo amigo. Eu estava acompanhado, mas só fomos para a casa dela nos pegarmos depois do sushi após o cinema. Eu fui com meu melhor amigo. Eu não fui com amigo nenhum. Eu fui com minha melhor amiga, e ela é lésbica.
Uma dessas coisas, eu fiz. Sem Instagram que dissesse ou desse a entender o que aconteceu ou o que eu fiz. Eu fiz mesmo. Sem ninguém ver.
Essa foi uma breve crônica de A Longa Jornada de Mim, inspirada num ensaio de Rafael Cafarcchio, referenciado abaixo.
Gostou?
(Quem sabe o seu financiamento do meu café volta no formato de convite para irmos ao cinema? Sem ninguém ver :)
Por aqui eu falo de muita coisa que não é cinema ou Instagram. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse:
Um post por semana, aos sábados.
A grande maioria deles, gratuitos.
Poesia às quartas-feiras. Sempre gratuita.
A Longa Jornada de Mim só tem alma e propósito com vocês, leitores(as). Inscreva-se gratuitamente para participar da Jornada. Vou te enviar um e-mail de boas-vindas personalizado, tá? Não é aquele e-mailzinho padrão xexelento do Substack não. É para quem escolheu participar da Jornada mesmo.

P.s.: Se você quer participar e apoiar esse trabalho, existe uma forma: uma inscrição paga. Porque escrita artesanal, sem IA, bem cuidada e curada precisa de apoio sim. Pelo preço de um YouTube Music (e descontos para grupos), você tem:
Contato direto comigo, no chat de membros apoiadores, para fazermos uma troca mais próxima, em comunidade;
Um espaço de conversa exclusivo nos posts mais íntimos, um ambiente seguro e longe da vitrine dos comentários públicos;
Acesso ao meu processo criativo, o que eu leio, penso e sinto para produzir… coisas que ninguém mais verá em livros, posts ou notes;
E o mais importante de tudo…
Além dos benefícios da comunidade exclusiva de apoiadores, você está financiando as doses endovenosas de humanidade que chegam para todos que escolheram participar da Jornada. Inclusive os que ainda participam dela gratuitamente.
E isso importa, demais. Porque eu acredito que arte, reflexão genuína e expressão lírica, humana, sem IA, não devem ser um luxo. Por isso que mais da metade do meu conteúdo é disponível “de graça” pela graça mesmo. E você pode honrar esse trabalho comigo, com uma pequena contribuição e chegando mais perto.
Comece agora, com a assinatura padrão ou membro curador(a):
Se você quer saber dos descontos em grupo (com 10% de desconto por assento), segue o link:
E, claro, você pode dar esse presente para alguém especial:
© 2026 Theo Sant’Ana. Este texto é protegido por leis de direitos autorais. A reprodução total ou parcial não é permitida sem autorização expressa do autor.
P.p.s.: Para fazer essa publicação, eu usei o seguinte setup autoprovocativo, que é um dos 5 passos simples de uma linha de produção textual de um Processo Criativo Explosivo para sua escrita:
Realmente o ensaio do Rafa me inspirou a fazer isso aqui, tanto é que meu comentário já fui um rascunho do início dessa crônica. Recomendo demais a leitura do ensaio!
Para aprender como dar conta de mais de 30 rascunhos simultâneos usando uma linha de produção textual de apenas 5 passos, e como ter pelo menos 7 boas ideias por semana, de propósito, confira o post:



Que texto gostoso de ler, Theo. Pra alguém que pensa milimetricamente em cada destaque do Instagram (culpada!), fiquei desejando mais idas ao cinema sem o celular no bolso. Mais cafés. Mais presença. Mais vida offline. Adorei o texto!
Xexelência é uma palavra xexelenta para descrever a xexelência. Uma palavra de alívio cômico que me abre um sorriso de canto de boca e me dá uma nova perspectiva, quase sempre animadora, sobre o tema. Isso me deixa mais leve.