Estava explicando ontem aqui, como é difícil mascarar.
Ter que agradar, ficar onde não se quer, ser quem você não é, para não causar problemas, má impressão, ser aceite. Depois desgasta, desregula, a mente vira geleia e só quero dormir, descansar, silêncio.
Eu mascarei a vida inteira, ainda mascaro mas está cada vez mais complicado eu não ser eu mesma.
É um mecanismo que exige… ENERGIA, né Élis. Um dispêndio que não é brincadeira. Para dar conta das intereações a pessoa tem que planejar a própria rotina, para não sair drenando bateria por aí.
Nossa queria escrever um texto desse mas justamente meu TDAH me deixa numa lentidão, não consigo fazer esforço continuo. Muito obrigado por escrever um texto sobre este assunto! 💓
Que bom, que bom, que bom que você se sente assim! Porque é exatamente por conta desse tipo de relato, que surgiram naquela nota, que eu quis fazer essa expressão por aqui. Pra dar voz a quem estava com o grito na garganta e ainda não tinha articulado um texto 💙
Bora fazer mais. Tem tanta coisa dentro do TEA pra falar…eu tenho discalculia, tenho outras coisas complicadas como aprender línguas, eu tenho o cognitivo afetado, tenho medo de pessoas tipo em festa, eu fui não verbal até 5 anos (como minha filha), tenho seletividade alimentar, certa rigidez cognitiva, ruminação e por aí vai.
Li e reli. Me identifiquei e tomei coragem para assumir que também sou autista nível 1 de suporte com TDAH desatento. Descobrir que sou neurodivergente tardiamente foi desafiador e emancipador ao mesmo tempo. Cá entre nós, procuro tratar essa descoberta como bússola e não como rótulo. Ainda assim, não é algo que abro para conhecidos porque, como aprendi a mascarar e silenciar, sempre acaba gerando mal-estar em mim e desconfiança no outro. Sigo mascarando e cuidando de mim em casa com o apoio dos meus, mas as palavras de vocês todos está me fazendo repensar! Hoje, quando tenho crises, me recolho. É desafiador demais e quase ninguém vê ou se importa. Afinal, sobrevivemos numa sociedade doente. A verdade é essa. E eu nasci numa família neurodivergente, num tempo que ninguém sabia nada sobre isso. Muitos ficaram pelo caminho! É triste demais. 🫣😔
Eve, querida, ter alguém(ns) com quem a gente possa contar para nos compreender é um tesouro inestimável. Se conseguir ir criando esse ambiente com pessoas confiáveis, é ótimo. Sempre que eu vou falar para alguém sobre o assunto, costumo contar um pouco da história de como cheguei ao neuropsicólogo para fazer um diagnóstico tardio, o que me motivou para chegar até lá, a diferença entre lauto e diagnóstico, que eu não quero saber de rótulo clínico mas entender como meu relojinho faz tique-taque diferente é super importante para me adaptar com consciência…
Essas coisas. Inclusive ajuda, sabe? Na argumentação. Quando fica claro para uma pessoa que você não quer um diagnóstico como muleta, a conversa é elevada para um patamar diferenciado de seriedade.
Theo, o problema é que falar, geralmente, me escapa. Falo demais e me perco ou falo de menos e a pessoa não me entende. Então, prefiro me abrir com poucos e bons. Pessoas que entendem do assunto por experiência própria ou por ter estudado o tema profundamente. Acredite, já tive péssimas experiências! Fiquei feliz de encontrar vocês por aqui. Um abraço.
Eu cometi alguns erros de me abrir sobre como minha cabeça funciona para algumas pessoas. Principalmente no ambiente de trabalho. Aprendi a escolher direitinho kkk
Super entendo. Só saí do armário nesse texto agora (:
E não necessariamente recomendo que todos os façam. Eu tive meus motivos para focar anônimo ao público até então. Mas eu tinha o que dizer sobre masking, assim como meus amigos em coautoria o tinham. E o objetivo do texto é sensibilizar. Comprei esse risco.
Descobrir para mim foi libertador. Saber que sou assim porque sou e não tem nada errado ser TEA.
Assumir, e quem quiser fica, quem não quiser toma um rumo diferente.
Cansada sabe? De mascarar, mentir, esconder, pra agradar os outros e depois chegar em casa e ficar com a cabeça cheia. E eu?
Hoje eu balanço o corpo, mexo as mãos se estou ansiosa…eu sou eu, não posso mudar isso, ninguém pode. E ganhei pessoas incríveis na minha vida através do TEA, gente que agrega, que respeita, que entende. Gente que não julga…tão incrível, tão especial isso, tão bom!
E tem muita gente TEA adulto, adolescentes fantásticos aqui no Substack em que a gente se apoia, se entende. Abraço fraternal ♥️
Se as pessoas soubessem o que é ter hiperfoco, não diriam isso. Parece bom mas não é. Sou TDAH diagnosticada e as pessoas tendem a dizer que esse é o “lado bom” de ter TDAH, mas não tem lado bom.
Exato. No meu caso hiperfoco não é o que mais me prejudica no convívio, mas o descompasso da minha inteligência com os meus pares. A questão é que as pessoas acreditam que há uma escolha(e pessoas usarem os termos de forma incorreta e indiscriminada piora tudo).
Mas não há escolha. “Ah, eu queria só metade da sua inteligência”. Nããããããão, meu amigo… Um terço já resolveria o que você quer, mas você não quer a minha inteligência, você quer tê-la por 30 minutos. E isso não existe. Você quer uma Ferrari a 300km/h para viajar ali, mas não quer 300km/h para andar nas ruas do centro da cidade.
É como eu digo para os mais índios, que me conhecem mais de perto e não podem me cancelar: Bicho, do mesmo jeito que você não inventa de ser inteligente por 2 minutos eu também não consigo ser burrinho de vez em quando não. Você acha que é gostoso, ser assim o tempo inteiro? Não conseguir ver as coisas com simplicidade e vagar? É doído!
Rsrsrs parece grosseria mas é um jeitinho didático de falar a verdade.
Texto forte vai além de Substack vale pra vida. So queria contextualizar uma parte mas não vou você pode se irritar por eu ser assim tão chatinha... Amei o texto ♥
Fascinante observar esse desdobramento, especialmente na distinção entre o termo como mapa e como muleta. É nesse ponto que o método deixa de ser detalhe e passa a ser fundamento. No fim, é a estrutura do olhar que define se estamos compreendendo a realidade ou apenas tentando contê-la.
Talvez o ponto seja esse: fatos não são sentença nem regra por si. O que os transforma é o modo como os interpretamos e operamos sobre eles. Sem método, viram sentença. Com método, viram jogo.
Texto interessante. Hiperfoco não é algo engraçado ou digno de piada. Parece divertido ficar obcecado por um assunto ao ponto de negligênciar suas necessidades básicas? Obviamente não.
Só queria dizer
Obrigado por dar voz a tanta gente, por apoiar a causa, pela sinceridade e dedicação.
Emocionei 🥹🥲
Grato, querida, pela contribuição ativa!
Também me emocionei relendo o que todos escreveram ❤️🌹
Estava explicando ontem aqui, como é difícil mascarar.
Ter que agradar, ficar onde não se quer, ser quem você não é, para não causar problemas, má impressão, ser aceite. Depois desgasta, desregula, a mente vira geleia e só quero dormir, descansar, silêncio.
Eu mascarei a vida inteira, ainda mascaro mas está cada vez mais complicado eu não ser eu mesma.
É um mecanismo que exige… ENERGIA, né Élis. Um dispêndio que não é brincadeira. Para dar conta das intereações a pessoa tem que planejar a própria rotina, para não sair drenando bateria por aí.
Dispense muita energia.
E sim, cansa mentalmente.
Por isso muitas vezes a gente não consegue pensar, lembrar coisas, dá ansiedade.
Minha filha faz natação quase todos os dias, e lê muito.
Justamente para “fugir”, se refugiar no mundo dela, onde se sente bem, a vontade.
Eu tenho procurado lugares e situações para refúgio desde criança. Muito difícil, porque a sociedade não perdoa.
Obrigada pelo texto acurado. Que ele chegue em muita gente!
Grato, querida, pela leitura e contribuição! Espero que alcance mais pessoas sim, que ele seja um convite à reflexão e diálogo num nível mais elevado!
Eu achei seu relato muito intenso! Mexeu muito comigo. Parabéns por contiuar firme na sua jornada ♥️
Nossa queria escrever um texto desse mas justamente meu TDAH me deixa numa lentidão, não consigo fazer esforço continuo. Muito obrigado por escrever um texto sobre este assunto! 💓
É isso, minha querida!
Que bom, que bom, que bom que você se sente assim! Porque é exatamente por conta desse tipo de relato, que surgiram naquela nota, que eu quis fazer essa expressão por aqui. Pra dar voz a quem estava com o grito na garganta e ainda não tinha articulado um texto 💙
Bora fazer mais. Tem tanta coisa dentro do TEA pra falar…eu tenho discalculia, tenho outras coisas complicadas como aprender línguas, eu tenho o cognitivo afetado, tenho medo de pessoas tipo em festa, eu fui não verbal até 5 anos (como minha filha), tenho seletividade alimentar, certa rigidez cognitiva, ruminação e por aí vai.
E vamos escrever mais e mais!
Li e reli. Me identifiquei e tomei coragem para assumir que também sou autista nível 1 de suporte com TDAH desatento. Descobrir que sou neurodivergente tardiamente foi desafiador e emancipador ao mesmo tempo. Cá entre nós, procuro tratar essa descoberta como bússola e não como rótulo. Ainda assim, não é algo que abro para conhecidos porque, como aprendi a mascarar e silenciar, sempre acaba gerando mal-estar em mim e desconfiança no outro. Sigo mascarando e cuidando de mim em casa com o apoio dos meus, mas as palavras de vocês todos está me fazendo repensar! Hoje, quando tenho crises, me recolho. É desafiador demais e quase ninguém vê ou se importa. Afinal, sobrevivemos numa sociedade doente. A verdade é essa. E eu nasci numa família neurodivergente, num tempo que ninguém sabia nada sobre isso. Muitos ficaram pelo caminho! É triste demais. 🫣😔
Eve, querida, ter alguém(ns) com quem a gente possa contar para nos compreender é um tesouro inestimável. Se conseguir ir criando esse ambiente com pessoas confiáveis, é ótimo. Sempre que eu vou falar para alguém sobre o assunto, costumo contar um pouco da história de como cheguei ao neuropsicólogo para fazer um diagnóstico tardio, o que me motivou para chegar até lá, a diferença entre lauto e diagnóstico, que eu não quero saber de rótulo clínico mas entender como meu relojinho faz tique-taque diferente é super importante para me adaptar com consciência…
Essas coisas. Inclusive ajuda, sabe? Na argumentação. Quando fica claro para uma pessoa que você não quer um diagnóstico como muleta, a conversa é elevada para um patamar diferenciado de seriedade.
Theo com certeza!
Theo, o problema é que falar, geralmente, me escapa. Falo demais e me perco ou falo de menos e a pessoa não me entende. Então, prefiro me abrir com poucos e bons. Pessoas que entendem do assunto por experiência própria ou por ter estudado o tema profundamente. Acredite, já tive péssimas experiências! Fiquei feliz de encontrar vocês por aqui. Um abraço.
Eu cometi alguns erros de me abrir sobre como minha cabeça funciona para algumas pessoas. Principalmente no ambiente de trabalho. Aprendi a escolher direitinho kkk
Super entendo. Só saí do armário nesse texto agora (:
E não necessariamente recomendo que todos os façam. Eu tive meus motivos para focar anônimo ao público até então. Mas eu tinha o que dizer sobre masking, assim como meus amigos em coautoria o tinham. E o objetivo do texto é sensibilizar. Comprei esse risco.
Descobrir para mim foi libertador. Saber que sou assim porque sou e não tem nada errado ser TEA.
Assumir, e quem quiser fica, quem não quiser toma um rumo diferente.
Cansada sabe? De mascarar, mentir, esconder, pra agradar os outros e depois chegar em casa e ficar com a cabeça cheia. E eu?
Hoje eu balanço o corpo, mexo as mãos se estou ansiosa…eu sou eu, não posso mudar isso, ninguém pode. E ganhei pessoas incríveis na minha vida através do TEA, gente que agrega, que respeita, que entende. Gente que não julga…tão incrível, tão especial isso, tão bom!
E tem muita gente TEA adulto, adolescentes fantásticos aqui no Substack em que a gente se apoia, se entende. Abraço fraternal ♥️
Faz muito bem! Quero chegar no seu nível. 🫶
Se as pessoas soubessem o que é ter hiperfoco, não diriam isso. Parece bom mas não é. Sou TDAH diagnosticada e as pessoas tendem a dizer que esse é o “lado bom” de ter TDAH, mas não tem lado bom.
Exato. No meu caso hiperfoco não é o que mais me prejudica no convívio, mas o descompasso da minha inteligência com os meus pares. A questão é que as pessoas acreditam que há uma escolha(e pessoas usarem os termos de forma incorreta e indiscriminada piora tudo).
Mas não há escolha. “Ah, eu queria só metade da sua inteligência”. Nããããããão, meu amigo… Um terço já resolveria o que você quer, mas você não quer a minha inteligência, você quer tê-la por 30 minutos. E isso não existe. Você quer uma Ferrari a 300km/h para viajar ali, mas não quer 300km/h para andar nas ruas do centro da cidade.
É como eu digo para os mais índios, que me conhecem mais de perto e não podem me cancelar: Bicho, do mesmo jeito que você não inventa de ser inteligente por 2 minutos eu também não consigo ser burrinho de vez em quando não. Você acha que é gostoso, ser assim o tempo inteiro? Não conseguir ver as coisas com simplicidade e vagar? É doído!
Rsrsrs parece grosseria mas é um jeitinho didático de falar a verdade.
Texto forte vai além de Substack vale pra vida. So queria contextualizar uma parte mas não vou você pode se irritar por eu ser assim tão chatinha... Amei o texto ♥
Bora rapa! Vai falando aí, já tô me preparando aqui pra discutir kkk
Nanarinha, que honra vê-la por aqui e contar com sua leitura! Que bom que gostou (:
Te achar chatinha por quê? Só se for por me deixar curioso. Toda contribuição, observação, adição, discordância e feedback são bem-vindas.
Fascinante observar esse desdobramento, especialmente na distinção entre o termo como mapa e como muleta. É nesse ponto que o método deixa de ser detalhe e passa a ser fundamento. No fim, é a estrutura do olhar que define se estamos compreendendo a realidade ou apenas tentando contê-la.
Grato, querida! É isso mesmo. Que faremos dos fatos? Acabaremos como sentença ou aprenderão aproveitaremos como regras para jogar o jogo?
Talvez o ponto seja esse: fatos não são sentença nem regra por si. O que os transforma é o modo como os interpretamos e operamos sobre eles. Sem método, viram sentença. Com método, viram jogo.
Texto interessante. Hiperfoco não é algo engraçado ou digno de piada. Parece divertido ficar obcecado por um assunto ao ponto de negligênciar suas necessidades básicas? Obviamente não.
Dei meu relato de hiperfoco aí no texto, posso garantir que é torturante. Kkk
Cara, e eu me arrepiando aqui enquanto lia, misericórdia!
Parabéns pelo relato
Pois é, textão pra fazer um statement simples. Que bom que gostou (:
Que texto incrível!!! Não tenho palavras pra expressar o quanto foi importante ter lido. Obrigada
Que bom que gostou, Tamyres! Espero que tenha tocado a mente e o coração. Bem vinda à Jornada ❤️