6 Comentários
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Avatar de Bee 🐝

Que delícia de texto, Theo. Me lembrou imediatamente “Eita”, do Seu Pereira, e “Fale Mais”, do Lagum… esse lugar estranho entre intimidade, desejo, memória e cuidado.

E acho muito bonita a maneira como você escreve tensão sem fazer dela necessariamente uma promessa de consumação. O afeto como referencial, quase como um lugar pra onde voltar. Adorei!

Avatar de Theo Sant'Ana

Nossa, e essas músicas? Não conhecia Lagum e não tinha ouvido Seu Pereira após 2020. Maravilhosas.

É, Clarice é esse lugar mesmo... interessante que depois que eu coloquei essa visão pra fora eu já comecei a ver diferente, mas é nesse lugar mesmo que ela estava quandk eu escrevi.

Que bom que gostou, grato pela leitura!

Avatar de Myrelle Jacob

Como somos equilibrados diante de quem não nos arrebata, né? Eu sinto que minha terapia funcionou quando encontro um vínculo bom o suficiente para ficar, por vezes até se apaixonar, mas sem tirar o chão. O problema é que, na racionalidade, dificilmente nos conectamos de verdade com alguém. A idealização é uma medida de sobrevivência da espécie humana 😂

Avatar de Theo Sant'Ana

Nossa, e o inverso? Quando dá match e afinidade mental a pessoa já tá emocionalmente em outra, ou indisponível, aff.

Isso que eu quase não saio de casa ein? Até as tentativas de romance são poucas.

Avatar de Mariana de Lys 🌹

Isso aqui me atravessa de um jeito estranho, porque não parece só uma história, parece uma memória sendo cuidadosamente encenada para não desabar.

O que me prende não é o desejo em si, mas essa dança entre presença e contenção. Entre o que foi vivido e o que continua existindo só na cabeça, como se o fim não tivesse conseguido encostar direito no afeto. E aí o texto fica nesse lugar suspenso, onde o corpo vira linguagem e a linguagem vira tentativa de segurar alguma coisa que já escapou.

Mas ao mesmo tempo, eu sinto um risco ali: em alguns momentos o outro deixa de ser inteiro e vira quase uma superfície onde o narrador organiza o próprio desejo, a própria saudade, a própria tentativa de não perder um referencial. E isso é bonito e perigoso ao mesmo tempo, porque diz muito mais sobre quem escreve do que sobre a relação em si.

No fundo, o que mais me pega é isso: não é um texto sobre querer voltar. É um texto sobre não querer mexer no que foi bonito demais para correr o risco de virar outra coisa. Como se o amor tivesse sido colocado num lugar seguro, não para continuar vivo, mas para não se deformar no contato com o presente.

E isso dói de uma forma silenciosa, porque preserva… mas também paralisa.

Mari 🌹

Avatar de Theo Sant'Ana

Ah, Mari. Cirúrgica, como lhe é costume. Encapsulou muito bem, seus comentários são prova de apreciação. E sou-lhe grato 🌹

And here's a treat for you: e se eu te dissesse… que Clarice é uma das peças fundamentais daquela saga de nome… “Joana”?