O nome dela é Joana, parte 1
O Amor de uma vida e a bad de mais de uma década. O nome dela... é Joana.
Essa é a história de como me apaixonei pelo primeiro amor romântico que vivi.
Baseado em memórias reais.
E se a bad de um término de relacionamento durasse doze anos?
O nome dela é Joana (não é, mas quero contar a história sem dizer os nomes).
Nos conhecemos online, no último ano do meu ensino médio, quando eu ainda fazia natação, teatro e aquele blog de poesia no wordpress, que ninguém lia.
Ah, Joana.
Não se encontra outra igual a ela.
Não se encontra uma ruiva de olhos garços, que aos um metro e oitenta de altura de seus dezoito anos, literada e trilíngue, fosse, ainda por cima, artista, desenhista e tocasse cello.
E era bela.
Tão bela, mas tão bela, mas tão bela, que intimidava.
Daquelas que, ao mostrar a foto de seu perfil no Facebook para os meus amigos, o tamanho de seus sorrisos acompanhados de um riso travesso revelava o “impossível, pare de sonhar e vá para o próximo perfil” estampado em suas faces.
Será que consigo descrever seu corpo sem ser vulgar?
Ser lúbrico sem soar devasso?
Vou deixar para tentar isso na descrição do momento em que a vi. Mas não se empolgue, que aqui com Joana a proposta não é fazer conto erótico nem pornô literário. Além de que eu sou meio pudico para falar dessas coisas (há quem diga que não falar dessas questões mais íntimas e também as mais quentes é uma questão de honra e respeito, mas, com ou sem os moralismos, vou ficar aqui na parte mais light).
Mas realmente… ela era tão linda que eu só tive coragem para puxar uma conversa pela brincadeira, de pirraça mesmo. Por que eu mesmo não acreditava que tivesse alguma chance. “Ah, então você duvida que eu mando uma mensagem pra ela?” (mandei) Nem lembro como que foi a primeira mensagem que enviei, mas foi alguma coisa que a fez dar risada. Ria usando KAKAKA e se despedia usando xoxo.
E ainda com um bom gosto musical, estético, linguístico… enfim, bom gosto.
Se eu conseguisse te descrever de fato o quão linda era ela, você não acreditaria. Mas aí eu ainda te diria o que é mais importante: ela era mais inteligente do que bonita. Se eu te mostrasse a foto, você diria que não existe uma mente tão brilhante assim, não naquele corpo, não os dois juntos, que não é possível. Mas era.
Eu sei que, na verdade, não tenho mais lembranças dela.
É meio trágico, reconhecer isso.
Eu só tenho a melhor edição da melhor edição da melhor edição das melhores lembranças que tive dela. Foram tantas vezes que revisitei seleções tão enviesadas da minha memória… que eu sei que é impossível que essa seja a sua imagem original.
Eu sei que essa é a Joana que eu criei.
É a seleção do recorte que eu curei.
Dos enfoques narrativos que orquestrei.
Mas eu quero te contar.
Porque essa curadoria de vieses e idealizações foram tudo que eu tive para me acalentar de alguns traumas. E eu aprendi tanto, naqueles treze anos, com Joana. Um e meio com ela e quase doze com os efeitos de sua ausência.
Depois de mais de década, eu descobri por que demorou tanto. Eu sei o que levou Joana a ocupar um triplex na minha cabeça por tanto tempo. Mas a história de hoje não é sobre isso.
Hoje eu quero te falar sobre Joana.
(A imagem da minha primeira namorada.)
Foi tão bom, enquanto durou…
Nossa, como ela era gostosa.
No bom sentido, claro…
Da presença carinhosa, do bom humor, o lindo sorriso, os abraços apertados e o corpo rente ao meu lado (não vou falar das vezes em que estava rente à minha frente). E quando não era possível ficar bem pertinho, de corpos juntos, gostava de dar as mãos. Fofinha, meu deus, como era lindinha. Enorme, com seus 1,80 de altura e bojo D, mas se fazia pequena quando afetuosa. Acho que foi com ela que aprendi a apertar prolongadamente os lábios na bochecha das pessoas ao dar um beijinho, para demonstrar um afeto extra. É assim que ela fazia.
E eu sei o que você pensou.
No outro sentido não era bom também, Theo?
Era sim, era ótimo. Nossa. Sabe um tal de sexting? A gente gostava. E funciona.
Mas sai do meu pé, que não é esse o assunto!
Era boa de trocar ideias, a Joana.
Descobrimos Ghinzu juntos e com ela aprendi a curtir The Killers, David Guetta, Sia, Florence And the Machine, Ed Sheeran e Cícero. Descobrimos Cigarettes After Sex, mas eu só soube que existia uma banda com esse nome 6 anos depois. E ela também sabia de umas coisas que eram muito diferentes, ela era cult. Eu ficava maravilhado de vê-la conversando com o pessoal da orquestra sobre coisas que só os verdadeiros músicos e apreciadores de música erudita entendem. Eu sem entender nada. Imagine, eu era só o doidinho do hiperfoco em Linkin Park, Foo Fighters e Incubus.
Mas sua mente era mesmo brilhante.
Ela conseguia fritar junto comigo, nos acompanhávamos nas ideias. Eu não li Dostoiévski ou Jane Austin, como ela leu. E ela também não ficava vendo Matrix e lendo Marx para repensar a realidade. Mas eu dava conta de ouvir e tecer conversas interessantes sobre arte e literatura com ela, e ela sabia ouvir e fazer perguntas interessadas sobre o que eu pensava sobre filosofia e sociedade. Conversávamos bem juntos e tínhamos bons pontos em comum. Os dois, por exemplo, amavam Tolkien. E esse tipo de conexão e apreciação mútua, eu fui descobrir e confirmar tantas vezes depois… é tão raro.
Talvez o brilho de nossa interação se devesse à adolescência. O fervor romântico na comunicação, a vontade de proximidade, a disposição, a exploração física mútua. Eu com meus dezoito anos e ela com seus dezessete. Eu tinha dito que ela tinha dezoito, né? É por que Joana, já aos dezesseis anos, tinha cara de vinte e um e corpo de dezenove.
Tadinha. Para minha sorte, coitada, Joana foi obrigada pela vó paterna a usar espartilho, da infância para a adolescência, o que lhe modelou as costelas. Ô dó. Mesmo sem usar o espartilho, ou roupa nenhuma na verdade, a base de sua cintura era aquela ampulheta vitoriana.
E era meio camaleoa, ela.
Seus olhos eram mais glaucos que os olhos glaucos que se vê por aí, oscilando entre um cinza azulado e uma mescla de verdes menta e esmeralda, às vezes com algumas fibras da íris puxando para um castanho bem claro, quase amarelo. Os cabelos, ondulados e brilhantes, mesclavam tons entre um carmesim escuro e um castanho acobreado, mas às vezes estavam naquele ruivo laranja, ginger mesmo.
Mas sempre, sempre… sempre ela foi mais brilhante do que bela.
Como nos conhecemos
Quem me indicou o perfil de Joana foi Catarina (o nome dela mesmo é outro, mas sigamos), uma prima minha. Estudava na mesma sala que eu e chegou numa segunda-feira para contar que conheceu uma ruiva gatíssima num rolê do fim de semana, compartilhando uma carona para voltar do centro histórico. Acho que ela deve ser do rock, Theo. E mostrou o perfil do Facebook. Aham, eu disse, você pegou ela foi? Ela riu (Catarina nem lésbica era, que eu saiba. Tá casada com um homem hoje) e falou bem devagarinho, quase arrastando, Nãããããão, Theo… eu acho que ela gosta de homem mesmo… fazendo uma cara de safada que só mesmo a Catarina era capaz fazer.
Diga a verdade, Catarina, você estava bêbada e queria pegar Joana, não é? Mas para a minha sorte ela não te deu tanta bola assim. Por isso você tinha certeza que ela gostava de homem. Admita.
Eventualmente eu mandei uma mensagem.
Eu não faço ideia de como foi isso porque não lembro das mensagens, foram muitas. Não faço ideia de como consegui seu e-mail do MSN (para você que não é da época, isso era um aplicativo de chat, tipo um WhatsApp da Microsoft que só pegava no computador, tipo um messenger do Facebook só que apenas no app e sem acesso via navegador). Eu ainda não concebi o fato de que consegui o seu número de celular, mas consegui. Inclusive, levei uma bronca federal da minha mãe por que a conta do telefone veio muito alta num mês, por causa das centenas de SMS que trocamos (sim, é o que a gente usava antes do WhatsApp). Depois daquilo, acabou pós-pago.
Aconteceu que, naquela época, ela não era do rock. Figura altamente enigmática, não bebia nem fumava nem falava palavrão. E trocava a cor da pele de branco para vermelho quando mentia. Ela explicou que no dia em que conheceu Catarina ela estava com uma amiga da orquestra que fazia teatro, que a levou para um rolê no centro histórico (sei não, essa galera do teatro). História altamente inacreditável, mas depois que eu conheci o pai dela descobri que devia ser verdade mesmo. Catarina achou que ela estava bêbada, mas era o jeitão alegre dela mesmo, se fazendo de bêbada para se camuflar no ambiente. Joana, lindinha.
Foram seis meses de lero até eu vê-la pela primeira vez em João Pessoa. Estávamos entre novembro e dezembro. Quem diria que ela morava no mesmo condomínio onde morava um dos meus colegas dos plantões de madrugada de cachaça dos rocks lá no centro? Nos demos um abraço e ela perguntou se eu tinha fumado. Não, não. É que os cara ali são mó caipora, aí eu tô com o cheiro de fumaça mesmo. Que mentira deslavada, dava para sentir a um metro de distância que tinha sido Lucky Strike Red. Tem certeza??? E ela nem tentou segurar a risada enquanto perguntava isso. Olha, eu fumo, tá…? Às vezes. Mas você realmente acha que eu ia fumar um cigarro logo agora antes de te encontrar? Que horrível, Theo, a emenda pior que o soneto, feito o seu bafo de Halls preto por cima da fumaça. Foi tão idiota que a risada dela quebrou o gelo de vez. Mas ela teve o cuidado de sair da frente de casa, para não correr o risco de seus pais me conhecerem (naquele dia apenas conversamos um pouco sobre qualquer coisa, mas eu peguei ela pela cintura enquanto caminhávamos).
Até isso ela achou bonitinho, tava apaixonada mesmo. A bichinha. Eu sei, por que ao longo do ano seguinte ela me deu seus diários daqueles dias de lero, junto com um CD (antes que playlists no Spotify existissem, ela se deu ao trabalho de fazer uma setlist num CD em que ela mesma fez a impressão de mídia artística, à mão), um toy art de pelúcia chamado Jô (feito por ela, claro) e outros mimos. Em um dos diários ela relatou que sabia que eu estava mentindo na primeira vez que nos vimos (óbvio), mas achou bonitinho, deu risada da situação. Uma pequena e pura alma, Joana.
Não tenho o que dizer do seu corpo naquele primeiro momento em que a vi. Eu estava hipnotizado capturando os detalhes do seu rosto, que era bonito igual as fotos, embora suas fotos fossem super diferentes entre si. O que ficou gravado desde esse dia foi seu perfume, um aroma adocicado, forte sem ser enjoado, que ficaria impregnado nas roupas, nossas e da cama, alguns meses à frente.
Dali pra frente foi só romance no SMS (que já acontecia de leve, mas aumentou muito). Só uma vontade louca de se ver de novo depois que eu voltasse de uma viagem a Piracicaba, onde eu tinha ido ver o José Renato (sim, o Zé Renato mesmo, do Derradeiras Considerações).
Foi… inacreditável?
Janeiro chegou. Saímos escondidos durante o primeiro mês. Nos encontramos pela primeira vez no canto da varanda daquele Subway da esquina próxima ao Busto de Tamandaré, onde ela me cumprimentou com nosso primeiro beijo (sim, eu ia em direção à bochecha e ela teve mais iniciativa que eu). Nos beijamos tão apaixonadamente durante horas num show de Lenine aquele mês, no Ponto de Cem Réis, que rendemos uma das melhores fotos que um fotógrafo do evento tirou.
Eu morria de medo, estava convencido que seu pai sabia sobre nós desde aquele passeio na praia, depois do Subway. Paranoico, ela dizia. Mas seu pai, mais empenhado que Ethan Hunt atrás do pé de coelho em Missão Impossível III, chegou para ela no nosso aniversário de um mês e perguntou: Faz um mês, né?
Eita, sogrão ninja.
Ele era especializado em espionagem e investigação dedutiva, a mãe em técnicas de interrogatório.
Joguei o jogo, dancei a dança.
Por que Jô, meu amor, valia a pena.
Mas nossa, como eu era desligado. Habitante de Nárnia na Terra, eu era. O que foi que eu conversei tanto com Joana sem perguntar questões tão básicas sobre família, religião, perspectiva de futuro? Acho que é por que nunca tive religião (antes, durante e após o período com Joana), era meio desligado da família e, naquela época, fugia consistentemente desses assuntos de planejamento pessoal. Pagamos caro por isso.
Mas mudei meu comportamento, que ficou à prova de testemunhas públicas. Deixei de beber, de fumar, de sair para vadiar. Meus fins de semana ficaram ocupados com outras atividades, burocráticas e devocionais, e uns dias de semana aqui e ali também. Não foi dessa época o sexting, muito menos cigarros após o sexo. Foquei nos estudos para não precisar fazer um ano de cursinho uma segunda vez. Excetuados os feriados, saí apenas seis vezes naquele ano, para descontração ou lazer (nenhuma dessas foi para bares ou shows). E várias sextas, quando Joana ia lá para casa, víamos filmes, trocávamos ideias, ouvíamos música e deixávamos a casa arrumadinha depois de nos revirarmos até a alma.
E assim foi, ótimo, apesar de puxado, até… mais ou menos a metade do segundo semestre daquele ano. Ou oito meses. Minha memória de longo prazo é boa, mas as datas perdem nitidez quando tenho que localizar eventos traumáticos no calendário.
… mas o fim era certo.
Claro que não foram só flores, quando estávamos juntos. Tinha a questão religiosa, tinha complicação familiar… e nossa dinâmica tinha uns inferninhos também, que alguns amigos e familiares me ajudaram a lembrar mais tarde. Além de que terminamos e voltamos várias vezes. E fui tão horrível nesse aspecto que decidi que ela seria a última pessoa com quem eu deixaria esse tipo de coisa acontecer num relacionamento.
Mas naquele momento inicial, ela demandava um nível e qualidade de atenção que eu não tinha condições de dar. Eu consegui no curto prazo, mas com pouco tempo a corda estourou. Eu nem sabia mas, além de uma autocobrança enorme, eu tinha culpa. Por que ela dava tanto de si que era irrazoável que eu não fizesse tudo que fosse necessário até que ela se sentisse bem. Mas o que ela precisava não estava ao meu alcance, nem fazia parte do meu repertório.
Quando seus pais descobriram que estávamos juntos, disseram que ou eu entrava para a igreja ou a gente terminava. Não era uma igreja mainstream, tinha uns detalhes bem peculiares. Eles não esperavam que eu aprendesse os dogmas no próximo mês, mas eu estava pronto para me batizar em quinze dias. Eles não esperavam que os contatos de informação institucional da unidade que eu frequentava apontassem envolvimento, devoção e desempenho exemplares nas atividades da igreja. Mas eu dei conta do recado… por uns oito meses. Afinal, eu fazia teatro.
Também tinha as questões de Joana com a família. Não interessa os detalhes (eu não gostaria que falassem da minha família, nem por pseudônimos). Mas ela teve seus motivos para sair de casa pouco tempo depois que terminamos pela primeira vez. A questão é que, dentre outras coisas, eles não me aceitavam. E sinceramente? Hoje eu também não daria voto de confiança para o sujeito de dezoito anos que andava com os coleguinhas cachaceiros e fumantes no centro histórico (só Deus sabe do que mais ele seria capaz), que escondeu seus dois brincos para ir conhecer o sogro (mas os furos estavam lá, não tinha como esconder). Às vezes eu lembro desse ex-sogro e sinto um pouco de pena pelo que ele passou. Era só um pai querendo proteger sua filha de uns alertas vermelhos.
Mas o que os pais dela e o pessoal da igreja queriam, eu não tinha condições de entregar (mais, mais, cada vez mais envolvimento, até que eu cheguei no limite do que eu conseguia simular). E ser o ponto de apoio emocional de Joana para lidar com os próprios desafios pessoais e domésticos, eu também não pude. Não por muito tempo.
… e foi assim que acabou, pela primeira vez.
A corda estourou, pela primeira vez.
Pela primeira vez, terminamos.
Eu lembro como foi constrangedor andar com ela até aquele Subway da esquina próxima ao Busto de Tamandaré (juro que não foi de propósito, mas ironicamente foi o mesmo Subway em que nos beijamos pela primeira vez), onde paramos para conversar depois que ela foi se encontrar comigo na saída do cursinho. A forma como ela perguntava repetidamente está mesmo tudo bem? durante o caminho mostrava que já sentia que algo estava errado. E foi exatamente isso a primeira coisa que ela falou quando eu disse que estava pensando em terminar: eu já sabia que você estava pensando em falar disso essa semana.
Eu lembro como foi dolorido quebrar seus argumentos, depois seus pedidos, depois seus apelos, seguidos de um choro inconsolável. O mais doído mesmo era não ter como acalentá-la sem ser ambíguo. Depois do choro, um beijo com um por favor, dê uma chance pra gente, e um outro beijo mais curto, com um selinho para arrematar com repense, deixe a sua cabeça esfriar. Como quem reafirmasse com convicção que ainda não estava acabado. Sentir o seu beijo, que eu tanto gostava, provavelmente pela última vez, vindos de quem eu tanto amava… sem ter o que fazer, naquele momento, para resolver seus olhos vermelhos e inchados. Foi horrível.
Mas a cena que me assombrou pela década a seguir foi o que veio depois desse imploro:
Eu não me lembro quais foram as palavras que ela disse em tom de raiva ou frustração, logo antes de se levantar e sair. Mas lembro da dor que retorcia sua face, espremendo suas lágrimas ao virar as costas e ir embora. Da sensação do rápido marejar de meus olhos ao acompanhar seu descer das escadas rumo à calçada. Do travar de minha mandíbula e o forte pressionar dos meus lábios, me concentrando para não ceder ao impulso de minhas pernas, que queriam correr em sua direção enquanto minhas lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto. E de como eu fiquei paralizado ao chegar na calçada, vendo a pequena silhueta de seu corpo, naquele vestido preto com padrão floral indiano, coberto por seus cabelos carmesim castanho-escuros, sumir ao se integrar à paisagem de duas quadras e meia de distância de onde eu estava. Mesmo depois que ela saiu de meu campo de visão, ainda fiquei paralizado uns cinco minutos sob o sol escaldante de uma hora da tarde de João Pessoa. Pulei o almoço e janta, não comi nada pela tarde e fui dormir sem fome ou apetite aquela noite.
Não dava, Jô.
Eu precisava passar no vestibular. Não dava para postergar mais um ano. E não tinha como fazer isso adentrando quase todas as madrugadas contigo em ligações e sequências de SMS para lidar com assuntos que eu não tinha a mínima condição de resolver, todo dia com medo de irmos dormir brigados, logo na reta final dos três últimos meses de revisões para os processos seletivos.
Quantas vezes, quantas vezes, tantas vezes eu repeti essa explicação para mim mesmo ao relembrar essa cena.
Eu passei, em segundo lugar geral, para Relações Internacionais (RI) na UFPB.
Mas essa ainda não foi a última vez que começamos e terminamos. Dois meses após minha aprovação, nós nos veríamos novamente. E a parte 2 dessa história é sobre o reencontro, antes do último término que tivemos.
Nela, eu quero te falar sobre as novas versões que descobri, minhas de Joana.
Mas calma… antes de seguir, aproveita enquanto o céu está aberto e o Sol brilha.
Me conta: como você se sentiu aqui com Joana?
Quer continuar?
Já liberei a parte 2:
Essa foi uma história de A Longa Jornada de Mim.
Gostou?
(Eu coloco minha alma e coração aqui toda semana. Toda contribuição sua, pontual ou recorrente, é bem-vinda. Já te agradeço!)
Por aqui eu falo de muitos assuntos, não é só Joana. Se você gosta de reflexões intimistas, histórias e contos, crônicas, opiniões existenciais, e ensaios, críticas e resenhas, de temas variados, com essa mesmíssima pegada de redação e uns lirismos a mais nos poemas, o ritmo é esse:
Um post por semana, aos sábados.
A grande maioria deles, gratuitos.
Poesia às quartas-feiras. Sempre gratuita.
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© 2026 Theo Sant’Ana. Este texto é protegido por leis de direitos autorais. A reprodução total ou parcial não é permitida sem autorização expressa do autor.



Que textinho visceral, o impacto que esse "pós-relacionamento" teve na vida uma "bad" que durou doze anos. :( muito bem escrito cada palavra saiu como um desabafo que precisava ser contado ❤️
Gostei muito. Realmente visceral. Fiquei presa do início ao fim... Me identifiquei muito com você e com algumas partes da Joana. Espero que a Joana tenha se curado ou esteja no processo. Tenho certeza que foi uma relação que fez ambos crescerem e evoluírem demais. E você fez a escolha certa terminando a relação. Tem parte dois?