O nome dela é Joana, parte 2
O meu último reencontro com Joana.
Se você não leu ou não se lembra dos detalhes de O nome dela é Joana, parte 1, especialmente o final, releia-o. Mais uma vez, talvez você esteja voltando sua leitura lá das partes finais e essa já seja a quinta vez ou mais que você passa por aqui. Não tem problema. Vai sem pressa.
Quando eu publiquei a parte 1, eu já estava com sessenta por cento do epílogo redigido e fui atualizando as outras partes conforme as fui redigindo, da parte 2 em diante, para manter a integridade, continuidade e coesão da história completa. Te garanto que vale a pena reler. Continuar a história sem lembrar bem do contexto de antes vai arruinar sua leitura nesta série. Faz favor:
Pronto?
Vamos lá.
Quando eu a vi após nosso primeiro término, Joana estava beeeem diferente.
Para coroar o que já era, adotou uma pegada estética e comportamental mais rock’n roll.
Eu sempre fui do rock, então foi tiro certo. Nessa época eu aderia ao slogan drug, sex and rock’n roll, mesmo que não tivesse autoestima suficiente para ser notado como interessante e muito menos “sair aprontando” por aí (por que a postura de quem realmente acredita ser desinteressante… é completamente desinteressante). Hoje sou só rock mesmo. Sexo também, mas não precisa vir tudo no mesmo contexto, nem sob o mesmo slogan, nem com volume alto e muito menos com qualquer uma. Mas sem drogas (inclusive álcool e cigarros).
Saída da casa dos pais, agora sim com dezoito anos de idade e cara de vinte e três, independente e com seu próprio trabalho, Joana podia vestir mais preto do que antes, usar maquiagem e roupas diferentes, mudar o palavreado, fazer o que quisesse nos fins de semana ou nos dias úteis. Mesmo quando ela não ditava suas regras, já não tinha como passar desapercebida por onde andava, pois sempre foi extraordinariamente bela, inteligente e carismática. Agora, mais versada, era impossível não expandir naturalmente seu ciclo social a cada saída.
Caramba, Joana estava top.
Não é só a estética.
No começo da história eu puxei assunto com uma moça, mas quando a reencontrei ela estava uma mulher.
Quando eu a reencontrei…
Mas não foi aí que tínhamos parado a história.
Da primeira vez que prestei vestibular eu reprovei para Direito na UFPB (e que bom, porque descobri nas disciplinas de Direito na minha graduação que eu teria sido muito infeliz no curso de direito), mas teria passado em quarto lugar se fosse para Relações Internacionais (RI)… E da segunda vez, passei em segundo lugar para RI na UFPB. Para isso eu estudei redobrado, insanamente, durante o último trimestre ou quadrimestre de preparação para as provas. Eu tinha horas disponíveis. Afinal, eu amputei o relacionamento com Joana sem anestesia, sob a promessa de não ter que prestar provas de vestibular uma terceira vez. Reprovar não era uma opção.
Eu já estava cursando o quarto ano do Ensino Médio (é assim que chamei o ano de cursinho após concluir os 3 anos de E.M.) e não queria um quinto. E eu tinha medo, muito medo de estagnar mais um ano de vida no cursinho. Eu odiava escola. Eu odiava escola, nossa, como eu odiava escola, sempre odiei e te digo exatamente os porquês quando falarmos de Clarice. E o cursinho era um prolongamento de… mais daquilo. Escola. Uma linha de produção fabril de resultados marketeiros de performance de aprovação mecânica em avaliações técnicas. Olhe que eu sempre tive ótimos professores, viu? Nenhum desgosto pessoal. Só nojo da estrutura geral mesmo. Da sociedade. E o lugar que a escola ocupa nela.
Por pouco, muito pouco, duas questões objetivas de matemática, eu não passei na primeira fase da Fuvest, para cursar RI na USP. Lá a concorrência de RI era igual à de Direito. E olhe que eu estudei sozinho para essa prova (o cursinho aqui em João Pessoa só preparava para o Enem e o vestibular próprio da UFPB, que estava em sua última edição quando eu passei nele). Eu li os editais da Fuvest faltando apenas 4 meses para a prova de primeira fase, li todos os livros recomendados, fiz as edições anteriores de várias fases da prova… e duas questões me penduraram na primeira fase.
Quando fui lá para São Paulo para fazer a prova, na casa de dois amigos, eu estava fumando feito uma caipora, só no Lucky Strike e Marlboro, dos vermelhos. O que me ajudou a dormir na noite antes da prova foi aquela Budweiser extra. Nossa, quanto café eu tomava, naquela época com uma chícara de açúcar por caneca. Eu tava uma pilha. Quem diria que o responsável pela unidade da igreja que eu frequentei estava me cotando para ser tesoureiro dele, há quatro meses? Ou foi há três meses? Eu cheguei a falar para Joana que eu queria prestar para a USP, antes de terminarmos? Ou foi depois do término que essa possibilidade fez sentido? Não lembro, essas informações desse período ficaram bagunçadas mesmo na minha cabeça, tudo que não era assunto de prova ficou meio embaçado.
Quase fui para São Paulo, minha terra natal.
Mas o destino das provas me colocou para estudar aqui em João Pessoa mesmo, onde Joana estava. Eu ainda não sabia, mas em alguns meses nós nos reencontraríamos.
Foi… agridoce.
Agridoce.
Você conhece a sensação?
Foi bom.
Foi gostoso.
Foi até mais intenso dessa vez, porque estávamos liberados de amarras que nos imobilizaram antes. Não tínhamos mais medos existenciais atrelados a cobranças externas. Dessa vez ela não tinha limites em casa para constranger suas escolhas e eu não tinha compromisso formal religioso para tolher minhas expressões. Éramos nós dois, cada um o primeiro grande amor do outro, com a chance de construir algo juntos após um fim traumático.
Mas dessa vez não consigo dissociar o que era doce daquilo que azedou o caldo.
Consequências (Joana 2.0)
Não é lirismo nem exagero quando eu digo que conheci uma Joana moça e depois encontrei uma mulher. Depois que terminamos, ela teve alguns “choques da vida real” que foram bem diferentes das experiências que eu tive. Na verdade, antes de terminarmos ela já teve que enfrentar umas escolhas… duras.
Eu não te contei antes, por que eu queria te mostrar a parte bonitinha da Jô. Eu quis que você tivesse noção de como ela era linda e maravilhosa e o quanto eu me apaixonei por ela. Eu não queria te furtar nem um segundo da experiência de poder se apaixonar por ela junto comigo, porque Joana era mesmo ímpar. Eu te disse, eu te disse na parte 1 que aquela era a imagem curada da minha primeira namorada.
Mas o caldo da nossa história completa foi agridoce.
Por uma conjunção de fatores da rede de contatos dela, Joana tinha uma bolsa para uma graduação em design gráfico nos EUA, numa universidade muito boa. Mesmo. Quando começamos a namorar, o calendário estava contando uns dez meses regressivos para ela viajar. Durante aqueles seis meses de lero que tivemos antes de nos vermos pela primeira vez, ela passou no TOEFL (Test of English as a Foreign Language) para poder ir fazer a graduação. Ela estava pronta pra ir… mas desistiu. Cancelou tudo. Porque valia mais a pena fazer algum curso na UFPB, desde que estivesse aqui comigo.
E eu terminei o relacionamento, quando ela já não tinha como reverter os cancelamentos.
Agora você sabe o que eu quis dizer com “artista, desenhista” ao descrevê-la pela primeira vez. Também não foi lirismo nem exagero. Ela o era em alma e prática. Não era só apreço e capricho dos mimos de toy art, caixinhas de madeira com decoupages de nossas fotos, dentre outras coisas que ela mesma fez. Era de nível profissional mesmo. Com muito potencial, muitas obras de treino, muita coisa bonita e de alta qualidade feita. Inclusive um belo portfólio que contribuiu para a obtenção de sua bolsa para cursar design gráfico naquela universidade top dos EUA.
Imagine só, se os pais dela gostavam da minha pessoa…
E logo depois que terminamos ela saiu de casa, lembra? Te pergunto: com que recursos e em que contexto?
Eu te digo:
Perspectiva profissional? Cancelada.
O cello que ela tinha? Vendeu.
O namoro da vida dela? Acabou.
Na igreja? Excommunicada.
As obras do portfólio? Vendeu também.
Em casa? Persona non grata.
(Por algum tempo, não sei quanto.)
Não lembro dos detalhes que ela me contou, mas também não é da nossa alçada aqui. Só sei que é coisa que seguramente daria um ou dois episódios de cinquenta minutos da estreia da segunda temporada de O nome dela é Joana, na Netflix.
Lembra de quando eu disse que eu tinha culpa por que ela dava tanto de si que me parecia irrazoável que eu não fizesse tudo que eu pudesse para ela se sentir bem? Então. Acho que dá para entender melhor por que eu lutei contra minhas pernas e fiquei paralizado sob o sol, naquele dia em que terminei com ela no Subway.
Ai, Joana.
Que medo eu tinha de algum dia encontrá-la na rua. De olhar na sua cara. Eu pensava que ela seria capaz de me matar. Jôzinha, do tamanho que era, com raiva devia ser capaz partir um homem em dois sem maiores esforços.
Por mais que tenha doído, eu não me arrependi do nosso primeiro término. Por que não dava para ser o reprovado no vestibular por mais um ano para um curso que nem era tão concorrido assim (embora a última edição do processo de vestibular da UFPB fosse minha última chance de competir no nível local, sem escancarar a concorrência para o público nacional com o Enem, frente ao qual eu poderia ter entrado na fila de espera). Eu tinha que seguir com a vida. Além de que eu odiava escola. Mas eu tinha alguma noção do peso das consequências para Joana, que me envergava os ombros.
Até por que tudo o que eu estou te contando agora sobre após o primeiro término, eu ainda não sabia. Só o que eu sabia era da minha rotina de estudos para passar no vestibular. Toda a carga emocional do relacionamento, da sua deterioração até o término, eu usei para focar nos estudos e nas provas. O que eu podia sentir, claro. Os recalques a gente lida depois.
Do meu lado da história, eu não aguentei performar por mais de oito meses um personagem, vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana, para poder jogar um jogo no qual eu não poderia ganhar, porque eu desde o início eu era persona non grata e não era eu quem ditava as regras. Do lado de Joana da história, ela teve que pagar o preço de não desistir de querer estar comigo. Foi caro. O negócio é que a partida deveria ter acabado nos primeiros meses, ou logo no início quando eu desistiria de me batizar.
Mas o caldo da nossa história completa foi agridoce.
Como nos reencontramos
Luan era muito meu brother (nem a pau que o nome dele mesmo é Luan, mas sigamos), desde o ensino médio, antes do cursinho. Por vários anos fomos nossos melhores amigos e confidentes. Caramba, Luan era muito massa. Tocava guitarra feito Hendrix, era super engraçado e… magro. Marca registrada dele, naquela época, a magreza. Rapaz, aquele menino é mago demais, mais fino que um assovio de sagui! dizia meu Tio Beto (é esse mesmo o apelido do meu tio, Tio Beto). Eu era quase um gordinho, mas os cigarros e jejuns de lanches pra bancar a vodka, cerva e Lucky Strike extras no fim de semana me emagreceram ao fim do ensino médio. E no terceiro ano eu fazia natação. E teatro. Luan cultivava um cavanhaque desde cedo, tinha uns óculos quadrados das bordas grossas e uns olhos meio arregalados, doidão. Caramba, eu adorava Luan.
Luan não bebia, e nem eu… Até o dia em que começamos.
Luan não fumava, e nem eu… Até o dia em que começamos.
Ele não saía para rocks de madrugada no centro, nem para bares à noite, à tarde ou pela manhã, e nem eu… Até o dia em que começamos.
Ele não tinha contato com gente doida (daqueles que fariam os pais de Joana se arrepiarem), e nem eu… Até o dia em que conhecemos.
Ele não saía por aí passando o rodo nas roqueiras, pegando as moças e as meninas na madrugada, e nem eu… e nossa, sofremos muito nesse sentido, a gente não levava jeito mesmo.
Eu não era tão bonito naquela época do ensino médio. Luan, mais feio ainda. Mas começou a pegar umas gurias com mais facilidade, deve ser por que era guitarrista. Eu tive a sorte de Deus ter colocado Joana no meu colo ao fim do terceiro ano… mas aí não fui pra igreja, ele ficou puto comigo e me fez devolver o presente (imagine só, o Poder Superior do universo todinho ficando puto e pedindo essa devolução hahahahaha).
Tá, talvez eu não fosse um desastre completo, mas cara de galã de novela eu não tinha. E mesmo que tivesse, com a crença fundamental que eu tinha na minha falta de apelo, ser mais bonito não adiantaria nada. Do contrário, se eu fosse mais feio e sem as crenças limitantes que eu alimentava… olhe, foi até bom como foi, porque eu fui um adolescente bem comportado. Mais ou menos. Sigamos.
Luan, assim como eu, era um dos caras que não acreditou que ia dar nada com Joana quando viu as fotos dela. Ele acompanhou o progresso que fizemos no MSN. Nossa, quantas Heinekens e carteiras de Marlboro a gente compartilhou, falando sobre nossas vidas e as gurias dos grupos de teatro e dança da escola, e eu eventualmente fiquei vidrado em Joana.
Ele achou muito, mas muito louca a ideia de me batizar depois que o Ethan Hunt (sim, vamos manter a reputação e dizer que o nome do meu ex-sogrão era Ethan Hunt mesmo, lá com a garra que ele tinha em Missão Impossível III) deu o xeque na Joana no dia do nosso primeiro mesversário de namoro. Ele teria dado fold quando Hunt dobrou as apostas da mesa, não entraria nem a pau numa doidice daquelas. Foi ele um dos amigos que me ajudou a lembrar dos desafios de convivência que eu tive com Joana, quando eu estava passando pela bad colossal de ter terminado com ela, antes de passar nas provas do vestibular. E depois que terminamos, após nosso reencontro, também.
Era ele um dos maiores interessados em me colocar de volta nos trilhos dos rocks das madrugadas, por que eu tinha passado um ano sumido, precisava voltar ao meu normal. Bora tu tem que sair, porra, já num ficou o ano todinho trancado em casa estudando e transando, carai? Acabou, tu passou, agora tem que sair de casa! É verdade, eu precisava sair de casa.
Depois dos resultados de aprovação no meio de dezembro era só começar o ano letivo… Mas sei lá quem da UFPB estavam de greve, então era férias até segunda ordem. E nos 30 dias de teste grátis da Netflix, em janeiro, eu já tinha zerado Breaking Bad, a saga de Jogos Mortais e sei lá mais o quê, então tinha que fazer alguma coisa mesmo. Pagar pela Netflix sem emprego eu não ia.
Então fomos para a noite.
Pro Carboni, carai!
Os mais antigos conheceram um bar que ficava em Tambaú, chamado Carboni. Os jurássicos lembram de quando ele se chamava Bad Blues (assim me contaram, cheguei depois). Hoje ele nem existe mais, independente do nome.
Ninguém que “ia pro Carboni” ia pro Carboni mesmo. Só entrava no bar para comprar alguma coisa ou jogar sinuca. Ou… é, digamos que era só isso mesmo. No mais, ficava todo mundo pela rua de paralelepípedo e nas calçadas, uns de pé outros sentados, todo mundo com refil de alguma coisa no seu copo de plástico, uns carros estacionados, umas motos passando de vez em quando, tudo sob aquele brilho pálido e alaranjado das lâmpadas de sódio nos postes, atravessando uma nuvem de fumaça aqui e ali. E sempre com um rock tocando no bar e mais uns rocks pelas caixas dos carros. Se tentassem jogar outro estilo musical, a consciência coletiva enxotava na hora. Forró de plástico e swuingueira aqui não, mizera! Diziam aos berros. Ninguém nem precisava erguer uma garrafa quebrada, o meliante desligava a música só de vergonha mesmo. Ambiente super construtivo e pacífico, o Carboni.
Tava tudo normal, fomos eu, Luan, a Melissa e Vitória, de carona com o Vitor (é inacreditável os nomes que eu invento para manter o anonimato desse povo), que já cursava Direito e voltava bêbado dirigindo o Uno verde limão (tipo o Super 15, da Telefônica) com todo mundo no carro, ouvindo Artic Monkeys, The Strokes e Black Drawing Chalks no talo. Era maravilhoso. O Vitor já pegava a Melissa, o Luan estava se engraçando com a Vitória e eu… pedi uma vodka. Nunca bebi vodka pura, só bebia misturada, sempre misturada com gelo. Apenas. Será que a Mila (óbvio que o nome dela não é Mila), minha veterana do teatro, ia chegar por ali? Comecei a puxar assunto com Melissa e Vitória, porque sempre tive dificuldade de conversar com estranhos do zero e sempre conversei melhor com mulheres.
Eita carai… o Vitor ficou meio alarmado, cutucou o Luan com força apontando para o lado… mas o cara já estava chegando perto. Fala, Thales, tudo certo, porra? O Luan sempre foi mais efusivo. E aí, beleza galera? Cheguei agora, cês tão aí faz tempo? O Thales tinha um jeitão de quem estava sempre meio que completamente chapado, mas acertava mais ideias e palavras que muito sóbrio. Não, a gente chegou agorinha também. Tá tudo bem, cara? Já o Vitor falava bem articulado como se estivesse treinando eloquência advocatícia para um tribunal. Mesmo quando bêbado.
O Thales disse Tá de boa sim, tranquilo… mas não parecia, por que a voz tava meio tremida, os braços dele estavam balançando a esmo em movimentos curtos, os dedos tamborilando nervosamente na bermuda e os olhos freneticamente procurando alguma coisa pela rua.
As meninas pararam a conversa quando ele chegou, deram um oi assim meio chocho, pro forma… mó climão. Eu não tava entendendo nada.
E aí Theo, beleza? Dá um cigarro? Eu cumprimentei e aí cara? Claro… (tirando uma unidade da carteira)… tem fogo? mas ele quase não olhou na minha direção enquanto apertava minha mão, com os olhos eletrizados escaneando os arredores. Ei vei, o que aconteceu, vocês tão brigados é? Tu tá chapado velho? Dava para notar que o Luan tava meio preocupado com o Thales, puxando o ombro dele enquanto eu acendia o isqueiro. E o Thales se fez de surdo sem encarar nenhum de nós enquanto acendia a brasa no isqueiro aceso: beleza então… (baforando para pegar bem o fogo)… a gente se fala, valeu! E saiu andando pela rua.
Climão.
Eu olhei para as meninas enquanto virava o último gole do segundo copo, que estavam olhando para os rapazes, cada um com os olhos do tamanho da cara, olhando um para o outro. Ei, que merda foi essa ein? O que é que aconteceu aqui? Perguntei apontando, quase virando o gelo pra cima deles. É que… ah, puta-que-pariu velho… foi o que Luan conseguiu falar assim que se virou na minha direção, mas seu olhar foi puxado para algum ponto do outro lado da rua, atrás de mim. Eu virei meu olhar na trajetória do olhar dele…
E lá estava Joana.
Destacada feito top model europeia no meio da noite paraibana (a galera aqui, em média, é mais baixinha descendentes de alemão feito Jôzinha, filha do Ethan), andando e falando com todo mundo como se tivesse crachá de livre circulação e acesso às conversas. E ainda por cima caracterizada de roqueira, com uma minissaia, meia calça preta, bota de couro (já ouviu Are You Gonna Be My Girl, do Jet? Ouça de novo!) e uma regata decotada com uma jaqueta por cima. Uma maquiagem mínima, meio gótica, que, meu pai amado, ficou muito bem nela. E ela tava com um copo de bebida alcoólica na mão? E um cigarro na outra?



